Por Ann Saphir

(Reuters) – O presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, levantou nesta sexta-feira a possibilidade de um aumento preocupante das expectativas de inflação nos Estados Unidos, à medida que desequilíbrios entre oferta e demanda de trabalho e bens pressionam os preços para cima.

A maioria dos formuladores de política monetária do banco central dos EUA vê a pressão de alta –evidente em um salto de 4,2% nos preços ao consumidor no mês passado, em base anual– como transitória, esperando que as cadeias de abastecimento eventualmente respondam à maior demanda e que mais trabalhadores retornem à força de trabalho à medida que a vacinação alivia preocupações com segurança.

O impulso a aumentos de preços decorrentes de mais gastos diminuirá, acreditam, assim que as poupanças acabarem e os cheques de ajuda do governo forem gastos.

Os desequilíbrios também diminuirão, evitando qualquer mudança permanente para cima nas percepções de inflação por parte de empresas e famílias.

Mas Kaplan –banqueiro central conhecido pela franqueza e cujas opiniões às vezes estão em desacordo com as de seus colegas– não tem tanta certeza.

“O que você não sabe é, dependendo de quanto tempo isso passa, se isso começa a ficar embutido nas expectativas de inflação, e a preocupação é que as expectativas de inflação comecem a ficar mais elevadas, e então você as está elevando para um nível que não é consistente com uma ancoragem em 2%”, disse Kaplan à McCombs School of Business, da Universidade do Texas.

“Essa é a parte que me preocupa. Isso é um risco para mim.”

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