Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) – O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, disse nesta terça-feira ser natural imaginar que o “estímulo extraordinário” que o Banco Central está concedendo à economia via política monetária será retirado de cena em algum momento.

“A gente sabe que a taxa estrutural da economia brasileira não é 2%, não é a taxa de juros com que a gente vai conviver em situações normais”, afirmou Serra em live promovida pela XP, acrescentando que esse patamar foi necessário para fazer frente ao cenário atípico gerado pela pandemia.

“É natural imaginar que esse estímulo extraordinário vai sair de cena em algum momento”, disse o diretor. “Esse é um debate que vai acontecer no devido tempo ao longo dos próximos bimestres. Esse debate já está ocorrendo no mercado e é natural que ele ocorra do nosso lado também.”

Serra também ressaltou que, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) retirar da sua comunicação o forward guidance (orientação futura) –por meio do qual tem se comprometido a não subir os juros se mantidas algumas condições–, a política monetária voltará a funcionar como antes, seguindo o balanço de riscos e as projeções macroeconômicas.

O diretor frisou que não há relação mecânica entre a retirada do forward guidance e a elevação dos juros, mas que tampouco há impedimento para que seja dado início a um novo ciclo de alta de juros assim que a orientação futura saia de cena.

“Não é mecânico para nenhum dos lados”, disse Serra.

O diretor disse ainda não ser simples avaliar que o choque da pandemia visto entre abril e maio será reprisado agora e avaliou que o recrudescimento da Covid-19 ocorre mais em função de aumento da mobilidade social, mas com diferente impacto sobre a atividade econômica.

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