A queda na taxa Selic e o discurso recorrente do próprio Banco Central de que os juros do cheque especial estão excessivamente elevados podem estar surtindo efeito sobre as taxas praticadas pelas instituições financeiras.

Ao mesmo tempo, os juros do cartão de crédito rotativo aumentaram, mostraram os dados de agosto das Estatísticas Monetárias de Crédito divulgados nesta quarta-feira (25) pelo BC.

Pode explicar melhor? Os juros sobre o cheque especial caíram 11,8 pontos percentuais, para 306,9% ao ano. É a menor taxa desde novembro do ano passado. O uso dos recursos do cheque especial também caiu em 3,7 ponto percentual ante julho.

Apesar da queda e do cheque especial representar menos de 1% de tudo o que está emprestado no sistema financeiro, a modalidade responde por 10% dos ganhos do sistema financeiro com empréstimos. Um levantamento do 6 Minutos identificou que a cada R$ 100 emprestados, os bancos ganham R$ 96. 

Na contramão da redução nas taxas sobre o cheque especial, os juros do rotativo do cartão de crédito avançaram 6,9 pontos percentuais, indo para 307,2% ao ano. É a maior taxa desde abril de 2018.

Para lembrar, o rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam o restante da fatura que ainda não foi pago.

E a inadimplência? O Brasil segue com 63 milhões de inadimplentes. A quantidade de endividados na categoria cheque especial cresceu 0,3 ponto percentual, e a maioria fica pendurada por um período de 16 dias. Já na modalidade de cartão de crédito, principal razão de endividamento das famílias no Estado de São Paulo, a inadimplência avançou 0,4 ponto percentual ante o mês de julho.

Qual o quadro de crédito no Brasil? A quantidade de crédito emprestada ao brasileiro segue crescendo, e encerrou agosto correspondendo a 47% do PIB (produto interno bruto). Para efeitos de comparação, em algumas economias internacionais a relação crédito/PIB ultrapassa os 100%. Desde que a inadimplência seja baixa, o aumento do crédito é saudável porque funciona como uma engrenagem para a economia.

Em agosto, a média de novos créditos concedidos foi de R$ 16,3 bilhões, alta de 5,3 pontos percentuais ante julho. Na comparação com agosto do ano passado, o aumento das concessões diárias foi de 12 pontos percentuais.

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