Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – A suspensão das tarifas para importação de soja, milho e subprodutos da oleaginosa, anunciada pelo governo brasileiro como resposta a uma alta nos preços das commodities agrícolas, terá pouco impacto no mercado, avaliou nesta terça-feira a associação de produtores Aprosoja Brasil.

O país está finalizando uma colheita recorde de soja e segue competitivo frente a seus concorrentes, enquanto as cotações internas têm sido sustentadas por ganhos no exterior.

A soja atingiu uma máxima de sete anos na bolsa de Chicago nesta terça-feira, uma vez que os norte-americanos viram seus estoques diminuírem pela forte demanda chinesa, após um atraso na safra brasileira.

“Não vemos impacto para baixa de preço, porque não tem outro mercado competitivo nesse momento”, afirmou nesta a jornalistas Bartolomeu Braz Pereira, presidente da entidade, antes da posse do novo líder da associação, Antonio Galvan.

Pereira lembrou que o principal concorrente do Brasil na exportação, os Estados Unidos, agora está no período de plantio, quando a competitividade do Brasil aumenta.

Segundo ele, a soja brasileira ainda conta com vantagens como o teor de proteína mais elevado, e o país deve dispor de vasta oferta em função da colheita recorde da safra 2020/21.

Ainda assim, os preços no mercado brasileiro estão em patamares históricos, com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) marcando mais de 178 reais por saca de 60 kg na segunda-feira, alta de 77% ante o valor de um ano atrás.

Pereira também disse que a safra de milho será grande e terá capacidade de abastecer o mercado interno e a demanda por exportações.

“Acho que não entrará muito produto importado… teremos recordes (de produção)”, acrescentou.

Pesquisa realizada pela Reuters mostrou que a seca já ocasiona perdas para a segunda safra de milho 2020/21, que está em desenvolvimento, fato que pressiona o potencial produtivo do país, embora a colheita ainda possa alcançar o recorde de 107,3 milhões de toneladas.

Nesta terça-feira, o governo publicou em edição extra do Diário Oficial da União a medida que oficializa a suspensão da Tarifa Externa Comum (TEC) para soja, milho, farelo e óleo de soja vindos de países de fora do Mercosul, até 31 de dezembro.

A resolução, uma reivindicação da indústria de carnes de frango e suína, entra em vigor sete dias após a publicação. Mais cedo, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que encabeçou o pedido para reduzir a tarifa, disse que o país poderá comprar milho dos Estados Unidos e da Ucrânia.

MANIFESTAÇÃO EM BRASÍLIA

O presidente eleito para assumir a Aprosoja, Antonio Galvan, confirmou a intenção da entidade de apoiar uma manifestação em Brasília (DF), programada para o dia 15 de maio pelo Movimento Brasil Verde e Amarelo, cujo o objetivo declarado é apoiar as reformas.

Questionado se o movimento que reúne algumas lideranças de agricultores visa apoiar o presidente Jair Bolsonaro, Galvan disse que o protesto é em apoio ao Brasil e à Constituição.

“Acho que Bolsonaro está fazendo um bom governo e deve ser respeitado como um presidente eleito pelo povo”, opinou.

Segundo ele, a manifestação estava agendada anteriormente para quarta-feira (21), mas foi postergada em função da pandemia da Covid-19.

Também presente no evento online para jornalistas, o vice-presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, que representa os produtores de soja e milho de Mato Grosso, esclareceu que a manifestação não está sendo organizada pela Aprosoja Brasil.

No entanto, disse que a entidade vem sendo cobrada pelo setor produtivo por um posicionamento.

“Produtores estão solicitando muito que se faça essa manifestação em Brasília… faremos uma reunião com as lideranças para ver como será realizada a mobilização”, afirmou.

Caso ela realmente ocorra, Beber disse que a principal demanda será a luta pela democracia.

“Vemos um Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) invadindo o outro, vemos o efeito que os lockdowns estão causando aos setores… A gente é solidário também ao comércio que está sendo muito penalizado pelos lockdowns… e teme que esses abusos sejam feitos no nosso setor.”

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