As discussões ambientais só ganharam temperatura desde a eleição do presidente americano Donald Trump. O republicano, que está em campanha de reeleição, foi o responsável pela saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, ainda em 2017. A principal reclamação de Trump em relação ao tratado era sobre a necessidade de diminuição de emissão de poluentes, o que, segundo o presidente, prejudicava a indústria americana.

Na contramão desse discurso está uma preocupação crescente, inclusive no mercado financeiro, com o meio ambiente. Um dos sinais dessa nova agenda foi o início da operação de um ETF de créditos de carbono na bolsa de Nova York nesta quinta-feira (30). Esse novo fundo de investimento, batizado de KFA Global Carbon ETF, acompanha os três principais indicadores de créditos de carbono disponíveis no mercado externo, e foi desenhado pela IHS Markit e pela Climate Finance Partners.

Pode explicar melhor? O fundo, direcionado aos investidores de varejo, oferecerá a possibilidade de exposição ao mercado de créditos de carbono. A criação dos créditos de carbono foi uma das estratégias estabelecidas para limitar a emissão de gases poluentes na atmosfera, de acordo com o determinado pelos países signatários do Acordo de Paris.

Os créditos de carbono são uma espécie de moeda concedida a empresas que conseguiram reduzir sua emissão de poluição. Como toda moeda, os créditos de carbono são negociáveis. Empresas que estão em atividades poluentes típicas (como a extração de petróleo, por exemplo), e que por isso não conseguem melhorar suas práticas ambientais, podem comprar esses créditos no mercado para compensar os seus níveis de emissões de gases.

Como funcionará, na prática? No fundo serão negociados contratos futuros de crédito de carbono, e o objetivo será o de superar índices que referenciam o segmento, como o IHS Markit Global Carbon. Esses índices acompanham as negociações de créditos de carbono na União Europeia e em parte dos Estados Unidos, principalmente na Califórnia.

O otimismo dos idealizadores da iniciativa é relacionado ao surgimento de novos mercados de negociação desses créditos. A China, a maior emissora de gases de efeito estufa, deve criar um sistema de compensação de emissões similar ao de créditos de carbono ainda neste ano. É provável que essas negociações também sejam incluídas no novo ETF.

“Muitos países estão lançando mercados de troca de créditos de carbono”, disse Jonathan Krane, fundador da gestora Krane Funds, responsável por operar o novo fundo. “Conforme a liquidez desses contratos aumentar, eles serão bons candidatos para incluirmos no nosso fundo de carbono”.

(Com Bloomberg)

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