Só porque a inflação da pandemia é transitória, não significa que desaparecerá tão cedo.

Essa é a conclusão incômoda de autoridades monetárias e investidores ao observar preços em alta ao redor do mundo. O gás natural europeu subiu 25% em duas semanas, e o petróleo ultrapassou US$ 80 pela primeira vez desde 2014. Fertilizantes bateram recorde na sexta-feira, o que significa que os preços dos alimentos – já no maior nível em 10 anos – devem aumentar ainda mais.

Bancos centrais de repente parecem um pouco mais preocupados com a inflação – embora não esteja claro como uma política monetária mais apertada pode consertar cadeias de suprimentos fragmentadas ou aliviar a crise de energia – e gestores de ativos querem rendimentos mais altos quando compram títulos. Com a recuperação econômica global também perdendo ritmo, até se fala em “estagflação”.

Muito do que está impulsionando os preços, de atrasos nas exportações a picos de demanda após as restrições da pandemia, parece uma consequência isolada da Covid-19, por isso o consenso de que qualquer aceleração da inflação não durará muito.

Mas essa visão está mudando. Na semana passada, Huw Pill, o novo economista-chefe do Banco da Inglaterra, disse que “a magnitude e a duração do pico transitório da inflação estão se mostrando maiores do que o esperado”.

A Covid está longe de ser contida, o que significa que provavelmente haverá mais fechamentos de fábricas e gargalos. Mesmo quando a pandemia acabar, pode haver legados – famílias com mais poupança ou escassez de certos tipos de trabalhadores – que tendem a manter a inflação em alta. E o aumento dos preços da energia elevará os custos de muitos outros produtos.

Nada disso significa necessariamente que a longa era de inflação baixa acabou para sempre.

O custo de vida não tem aumentado em todos os lugares. O Japão enfrenta deflação, e em outros países da Ásia os preços estão sob controle. E existem forças profundamente enraizadas, do comércio à erosão da força de trabalho, que seguraram os preços antes da pandemia e que poderiam se reafirmar quando a crise de saúde acabe.

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