A inflação de alimentos seguiu pesando mais sobre os mais pobres em dezembro, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No último mês de 2020, enquanto a taxa das famílias de menor renda (rendimento familiar mensal inferior a R$ 1.650,50) apontou alta de 1,58%, a faixa de renda mais alta (rendimento domiciliar superior a R$ 16.509,66) registrou avanço de 1,05%.

Em 2020 fechado, a diferença ficou ainda maior: a taxa dos mais pobres apontou alta de 6,22%, ante avanço de 2,74% na taxa dos mais ricos.

O IPCA, índice de preços calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado nas metas de inflação perseguidas pelo Banco Central (BC), fechou o ano passado com alta de 4,52%.

Por que essa diferença inflacionária acontece? A diferença entre essas pressões pode ser explicada pelo peso das despesas com alimentos, energia e gás: elas comprometem 37% dos orçamentos mensais nas famílias mais pobres e 15% nas mais ricas.

Quando se observa a variação acumulada em 2020, se comparada com a de 2019, os dados mostram que para as três faixas de renda mais baixa houve uma aceleração da inflação, enquanto para as três classes de renda mais alta o ano passado proporcionou um alívio inflacionário.

O mais pesou no bolso? Os segmentos de “habitação” e “alimentos e bebidas” foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda:

  • Óleo de soja: 104%
  • Arroz: 76%
  • Feijão: 45%,
  • Leite: 27%
  • Carnes: 18%
  • Tarifas de energia: 9,2%
  • Gás de botijão: 9,1%

Já os itens que ocupam mais espaço na cesta de consumo dos mais ricos, tiveram alta mais modesta. O destaque foram os gastos com serviços livres, como mensalidades escolares (1,1%) e serviços médicos e hospitalares (14,8%), além de deflações em itens consumidos majoritariamente por esse grupo, como passagens aéreas (-17%), seguro de automóvel (-8%) e gasolina (-0,2%).

(Com Agência Estado)

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