O preço das carnes disparou ao longo deste ano. O consumidor que tentou fazer substituições precisou ser muito criativo, pois o aumento atingiu tanto a carne bovina quanto a suína. A alta das aves e dos ovos não ficou muito atrás, mas foi menos intensa.

O que está por trás desse aumento? Essa alta é resultado da combinação de dois fatores, segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“Foram dois fenômenos e todos por culpa da desvalorização cambial. Ela encareceu o custo de criação de aves e suínos, pois as rações utilizam derivados da soja e do milho, commodities que tiveram aumento do preço em dólar. E a desvalorização tornou nosso país mais atrativo para outros países. A China, que já comprava muita carne, passou a importar ainda mais”, disse ele.

Tudo isso, segundo Braz, acabou desabastecendo o mercado brasileiro. “É a lei de oferta e procura. Com menos oferta, o preço subiu mais.”

 Aumento acumulado no ano, segundo o IPC/FGV
Carnes bovinas24,31%
Carnes suínas31,01%
Aves e ovos14,72%

Os preços vão cair? Essa queda já começou no atacado, segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. “Na comparação de dezembro contra novembro, já observamos uma queda nos preços das carnes bovina e suína.”

No atacado, segundo levantamento feito por Carvalho, o aumento também foi maior para a carne bovina. Na comparação de dezembro contra novembro, entretanto, as carnes bovina e suína ficaram mais baratas, enquanto o frango aumentou.

 Aumento no anoVariação dezembro x novembro
Carne bovina dianteira11,23%-3,90%
Carne bovina traseira9,65%-6,70%
Carne suína6,7%-2,58%
Frangos3,8%1,54%

Por que as carnes subiram no atacado e agora estão caindo? As exportações, segundo Carvalho, que foram o fiel da balança de preços neste ano começaram a diminuir. “E o mercado doméstico não está tão aquecido como era de se esperar nesta época de fim de ano, pois os preços estão muito altos”, afirma o pesquisador do Cepea.

Essa queda não vai chegar ao consumidor? Não é porque o preço caiu no atacado que isso vai ser repassado automaticamente para o varejo. Por conta da demanda de carnes para festas de fim de ano, como aves de Natal e pernil de Réveillon, costuma haver aumento de preços. “Tradicionalmente, há aumento de preços nesta época.”

Como fica a ceia de Natal e o churrasco de confraternização? Pressionadas por essas altas de preços. “As ceias de Natal e Réveillon vão ficar mais caras, pois o custo de produção aumentou. O produtor pagava no começo do ano R$ 35, R$ 40 no saco de milho. Agora, está pagando R$ 85. É impossível manter o preço”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Como ficam os preços em 2021? Mesmo a carne suína e o frango, que foram os principais substitutos da carne bovina, devem ficar mais caros. “O farelo de soja e de milho representam 70% do custo de produção. Esses insumos aumentaram mais de 60%, é impossível não ter reajuste. Durante esse ano, alguns produtores tinham estoque comprado a preços menores. Mas a reposição desse estoque custou caro”, afirma Santin, da ABPA.

E o fim do auxílio emergencial? Santin não acredita que o fim do benefício, previsto para 2021, reduza o consumo de carne suína, frango e ovos. “Já passamos da redução do auxílio de R$ 600 para R$ 300 e não houve redução no consumo”, diz o presidente da ABPA.

No caso da carne bovina, os preços devem continuar sendo balizados pelas exportações e a oferta para o mercado interno. “Por mais que se reduza a exportação, elas vão continuar em alta por conta da crise sanitária”, diz Carvalho, do Cepea.

Carne suína fica mais cara com inflação dos insumos
Crédito: Shutterstock

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