A inflação oficial do país, calculada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acelerou de 1,16% em setembro para 1,25% em outubro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 12 meses, o IPCA acumula 10,67%. Apenas este ano, o índice é de 8,24%. Esta é a maior variação para um mês de outubro desde 2002.

Segundo o IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em outubro. O maior impacto (0,55 p.p.) e a maior variação (2,62%) vieram do dos Transportes, que aceleraram em relação a setembro (1,82%).

“A alta nos Transportes decorre, principalmente, dos preços dos combustíveis (3,21%). A gasolina subiu 3,10% e teve o maior impacto individual sobre o índice do mês (0,19 p.p.). Foi a sexta elevação consecutiva nos preços desse combustível, que acumula altas de 38,29% no ano e de 42,72% nos últimos 12 meses”, informa o IBGE.

O cálculo ainda destaca que os preços das passagens aéreas subiram 33,86% em outubro, frente a setembro. O transporte por aplicativo ficou 19,85% mais caro, segundo o IBGE.

Remédio amargo

Os preços vêm sendo bastante influenciados este ano pela força do dólar, bem como crise hídrica e custos altos de insumos. As preocupações com uma inflação persistente já levaram o Banco Central a elevar a taxa básica de juros Selic a 7,75% até agora neste ano.

“O que tem contribuído para inflação dos últimos meses são os monitorados, como combustíveis, gás de botijão e energia elétrica, sendo que desde setembro temos escassez hídrica”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Segundo boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda, a projeção do mercado para o IPCA este ano é 9,33%. Em 2022, deve chegar a 4,63%, segundo o relatório.

A alta da inflação pressiona o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central a continuar elevando a taxa básica de juros, que hoje é de 7,75%. A próxima reunião do Copom está prevista para 7 e 8 de dezembro.

A inflação por grupos

  • Transportes: 1,82%)
  • Alimentação e bebidas: 1,17%
  • Vestuário: 1,80%
  • Habitação: 1,04%
  • Educação: 0,06%
  • Despesas pessoais: 0,75%

Análise

“A dúvida que fica é quando a indústria vai normalizar a oferta de produtos para fazer com que a inflação pare de subir. Isso o mercado não sabe, nem aqui, nem lá fora. É um problema global”, afirma o economista e sócio da BRA, João Beck.

“Os dados colocam viés altista para nossa projeção de IPCA no ano e aumenta a probabilidade de uma alta maior do que a projetada para a SELIC em dezembro”, diz Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais.

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