Não é só que a indústria brasileira vê com otimismo os próximos seis meses. O indicador de confiança do setor, pesquisado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), disparou para o maior patamar em mais de dez anos em novembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (dia 27).

Paralelamente, a mesma sondagem feita com o comércio e com consumidores mostrou neste mês a segunda retração consecutiva, indicando que o corte pela metade no valor do auxílio emergencial e o receio de uma segunda onda de coronavírus já começou a impactar as projeções para o futuro próximo.

Afinal de contas, quem tem razão? E por que essas expectativas estão tão descoladas?

O 6 Minutos conversou com a coordenadora de sondagens do Ibre/FGV, Viviane Seda Bittencourt, para entender os motivos. Veja abaixo as projeções dos diferentes setores da economia e dos consumidores para o futuro.

Indústria

O que o setor espera

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) teve alta de 1,9 ponto em novembro, a 113,1 pontos, seu maior valor desde outubro de 2010. Foi a sétima alta consecutiva do indicador, dando sequência a um movimento de recuperação iniciado em maio.

As razões para a alta 

Além do aumento da demanda em alguns segmentos, por causa da flexibilização do isolamento social, a razão de tanto otimismo está relacionada ao dólar.

A elevada cotação da moeda americana em relação ao real vem estimulando exportações e reduzindo importações, aumentando espaço para produtos fabricados no Brasil.

“O câmbio está favorecendo a indústria nacional. As pessoas e empresas passaram a comprar muito mais produtos fabricados no Brasil”, explica Viviane.

De acordo com ela, outro ponto é que a segunda onda de coronavírus na Europa reduziu a disponibilidade de muitos produtos que antes eram importados. “Essa escassez de insumos faz com que empresas e consumidores comprem mais produtos fabricados no Brasil”.

Comércio e consumidores

O que o setor espera 

O Icom (Índice de Confiança do Comércio) caiu 2,3 pontos entre outubro e novembro, para 93,5 pontos, a segunda queda consecutiva. O ICC (Índice de Confiança do Consumidor ) teve queda de 0,7 ponto em novembro, a 81,7 pontos, também a segunda redução seguida.

As razões para a queda

As razões são as mesmas para o comércio e para o índice de confiança do consumidor: o receio de desemprego por causa da pandemia e a redução pela metade do auxílio emergencial.

“O consumidor já vinha bastante cauteloso com as compras de bens duráveis, postergando compras, com medo de desemprego. Com a redução ou fim de benefícios, muitas pessoas voltaram a procurar trabalho, e estão percebendo a dificuldade do mercado. Isso afeta o comércio”, explica a coordenadora do Ibre.

A esse cenário, de acordo com ela, se soma o medo crescente das consequências de uma eventual segunda onda de covid no Brasil. “É mais incerteza, o que colabora para o consumidor se manter retraído”, resume.

Serviços

O que o setor espera

A prévia do ICS (Índice de Confiança de Serviços) de novembro mostrou recuo de 1,2 ponto, para 86,3 pontos. A sondagem oficial será divulgada nesta segunda (dia 30).

As razões para a queda

Viviane lembra que o setor, diferentemente do comércio, ainda não recuperou os níveis pré-pandemia.

“É o setor com o nível de confiança mais baixo, e que demora mais para se recuperar. Serviços dependem muito mais da presença do consumidor, e sofrem mais com o risco de circulação de pessoas. Existem algumas prestações de serviço que podem ser feitas de forma virtual, mas é raro”.

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