A produção industrial brasileira teve um bom resultado no mês de agosto, mas os números mostram um avanço limitado a poucos grupos e que reforça que o caminho para a retomada mais sustentável e abrangente da economia é longo. O crescimento em agosto foi de 0,8% na comparação com julho, segundo a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI) divulgada nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O que subiu? Apenas os chamados bens intermediários, que correspondem à atividade industrial direcionada a produção e obtenção de matéria-prima e insumos. A ativista extrativista avançou 6,6% em agosto. Os produtos derivados de petróleo e biocombustíveis cresceram 3,6%, e os produtos alimentícios, 2%.

Apenas 10 dos 26 ramos da indústria tiveram crescimento em agosto.

O que caiu? Os bens de capital, como maquinário, recuaram 0,4% em relação a julho. A atividade industrial relacionada a bens de consumo caiu 0,7% , enquanto os bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, registraram queda de 1,8%; e a indústria de produtos semi e não duráveis (vestuário e alimentos) fecharam em -0,4%.

O que isso significa? Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora, “a alta de bens intermediários sugere que a oferta de produtos pode estar crescendo e a expectativa é que isso gere por si demanda mais para a frente”. Isso acontece porque os bens intermediários são usados para a produção de outros bens.

Mas é importante notar que a PMI é um balanço dos resultados de cinco grandes categorias da indústria, e apenas uma registrou taxa positiva no mês de agosto. O crescimento ainda é marginal e por ora não representa uma grande mudança no cenário econômico do país.

Vale lembrar que tanto o governo como o mercado estimam um crescimento inferior a 1% em 2019.

Como os juros básicos mais baixos e a liberação do FGTS impactam a indústria? No médio prazo, uma Selic menor estimula novos investimentos por parte do empresariado. Na ponta do consumidor, o acesso ao saque de até R$ 500 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) estimula as compras e a redução do estoque do varejo e, na sequência, da indústria, que precisará aumentar a produção para colocar mais bens no mercado.

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