Desde o início da pandemia só se escutam elogios ao home office. O trabalho remoto é celebrado por melhorar a produtividade e economizar o tempo das pessoas no trânsito. Tudo isso é verdade. Mas será que os funcionários querem trabalhar de casa para sempre?

Pesquisa realizada pela consultoria Adecco com exclusividade para o 6 Minutos mostra que quase 60% dos entrevistados querem voltar a trabalhar nos escritórios. O percentual dos que não querem voltar porque tem medo de pegar coronavírus é de apenas 6,25%.

“Esses dados refletem muito o atual estágio da pandemia. Tem uma parte que não aguenta mais ficar em casa, precisa ir para outro ambiente. E o trabalho é um motivo para isso”, diz Kerullen Pimenta de Sá, Gerente de Serviço & Qualidade da Adecco.

Números da Pnad Covid mostram que o número de pessoas em isolamento social total vem caindo semana a semana. Entre a segunda semana de julho e a segunda de setembro, 12 milhões de brasileiros deixaram o distanciamento rigoroso.

“Como o isolamento social vem caindo, é natural que o medo de voltar ao trabalho social também tenha diminuído”, diz Kerullen.

As pessoas querem trabalhar todos os dias no escritório? Também não. A pesquisa da Adecco mostrou que 26,11% dos entrevistados desejam voltar a trabalhar com uma jornada flexível e dias alternados entre presencial e remoto.

“A pesquisa mostra que voltar a trabalhar presencialmente é importante, mas as pessoas não querem ir todos os dias, desejam mais flexibilidade de jornada e horário”, afirma Kerullen.

Na BRLink, os funcionários foram mandados para casa em março e, a partir de agosto, tiveram a possibilidade de retornar ao escritório. Desde então, cerca de 30% dos colaboradores têm ido à empresa pelo menos uma vez por semana.

“O que para gente ficou evidente é que quem tem condições de ir, porque mora na cidade, está indo. Uma coisa é ir todo dia ao escritório. Outra é ir uma vez por semana. Essa ida acaba sendo um momento de relax, pois a pessoa encontra outros colegas, almoça num local diferente, sai do ambiente de casa”, disse o CEO da BRLink, Rafael Marangoni.

Segundo ele, não há a obrigação de ir nenhum dia da semana ao escritório. “O colaborador não tem a obrigação de voltar. Quem quiser, pode ficar 100% em home office.”

A preocupação da empresa é com o cumprimento dos protocolos de saúde contra a covid-19, como o distanciamento entre as pessoas. Por isso, ele acredita que o percentual de funcionários em trabalho presencial não deve passar desses 30% até que se tenha alguma certeza em relação à doença.

Do que os funcionários têm medo no retorno ao presencial? A pesquisa mostra que o principal medo é o de voltar a utilizar o transporte público (66,22%).  Segundo Kerullen, o desejo de fazer uma jornada híbrida está diretamente ligado a esse medo. “Com a jornada flexível, as pessoas podem fugir do horário de pico do transporte público, evitando as aglomerações.”

O segundo maior medo diz respeito à segurança do local de trabalho (14,35%). Por isso, a recomendação é que as empresas que já voltaram ao presencial mantenham uma comunicação rigorosa em relação às normas de segurança para evitar a covid-19.

“Não adianta a empresa ter um protocolo bem-feitinho de saúde e um funcionário não usar máscara e descumprir outras normas. Esse único funcionário, se for assintomático, pode colocar em risco os demais colegas”, afirma Paulo Sardinha, presidente da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos).

Que recado esses dados dão? Kerullen diz que não dá para fechar os olhos para o fato de que muita gente quer voltar para o trabalho presencial. “Não é todo mundo que se deu bem com o home office. Tem gente que sente muita falta das interações com os colegas de trabalho.”

Outra mensagem diz respeito ao tipo de trabalho que será oferecido para os funcionários. “Muita empresa não voltou, nem sabe quando voltará. Algumas não pretendem voltar ao presencial nunca mais, outras nunca pararam. Mas algumas vão lidar com um modelo híbrido de trabalho”, afirma Kerullen.

Na FTD Educação, os funcionários começam a retornar a partir de dezembro. Antes da pandemia, os funcionários já podiam escolher dois dias da semana para trabalhar remotamente. A partir de dezembro, todos os colaboradores poderão fazer três dias de home office.

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