O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central acertou ou errou ao fazer um ajuste de 1,5 ponto na taxa Selic, que foi para 7,75% ao ano? No comunicado pós-reunião, o colegiado avisou que fará mais uma alta, da mesma magnitude, em dezembro, o que elevará o juro básico para 9,25% ao ano.

Essa decisão, entretanto, não agradou a todo o mercado. Para José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o ajuste foi pouco efetivo e traz consequências para as expectativas de inflação de 2022, 2023 e 2024.

“As expectativas pra 2022 já estão acima da meta e nos últimos dias as expectativas para 2023 e 2024 começaram a descolar também”, afirmou ele.

Para Camargo, o Copom deveria ter sido mais duro no comunicado pós-reunião. “O Copom deveria ter sinalizado que a política monetária vai ficar mais contracionista dado que a política fiscal está mais expansionista. Cabe ao BC fazer uma política contracionista para que seja possível chegar à meta de inflação de 2022.”

Esse argumento de Camargo traz à mesa a discussão se o Copom foi hawkish ou dovish, expressões usadas para descrever a postura das autoridades monetárias. Uma postura hawkish implica em mais austeridade, juros mais altos, menos acrescimento. Já um estilo mais dovish pode estimular o consumo, mas ser mais permissivo com a inflação.

Para Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, o mercado vai fazer essa leitura na quinta-feira. “O mercado já tinha precificado duas altas de 175 pontos. Em relação ao mercado, o Copom foi mais dove, mais leniente e deu um passo menor. Vamos ver como vai se comportar o dólar e se o mercado vai entender como um discurso fraco. Talvez não tenha dado o passo que o mercado esperava, mas continue jogando a Selic para acima de 10%.”

Já Rachel de Sá, chefe de Economia da Rico, diz que o Copom não foi nem hawkish nem dovish. “A decisão veio bem em linha com a nossa expectativa e o comunicado que a acompanhou trouxe poucas novidades e pode ser visto como relativamente neutro. Ou seja, nem hawkish nem dovish.”

Para Samuel Cunha, economista e sócio da H3 Invest, diz que o aumento deve passar uma mensagem de tranquilidade ao mercado. “Era esperado esse aumento superior ao que vinha sendo dado até então pra passar a mensagem que a autoridade está sendo vigilante. Isso era bem importante para passar tranquilidade. Se o BC tivesse feito um aumento menor, a taxa ficaria abaixo da curva de juros e isso poderia estressar o mercado.”

Decisão divide

Para a Órama, a decisão foi adequada para o momento. “Pode ser prematura a visão de uma relação mecânica, automática e imediata dos atuais ruídos políticos sobre a demanda agregada, que exijam um choque de juros desproporcional para contê-la. É provável, inclusive, que movimentos mais acentuados de alta tragam desaquecimento da atividade, que procura uma retomada mais consistente para o ano que vem, além de poder trazer o espectro da dominância fiscal”, diz relatório assinado por Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama e Elisa Andrade, analista de macroeconomia.

Para Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, a decisão do Copom foi em linha com o esperado. “Na medida em que a PEC dos precatórios deve avançar no Congresso e teremos a manutenção da incerteza do mercado com relação ao futuro das contas públicas, e até por sinalização do próprio BC, esperamos uma nova alta de 1,5% na taxa Selic na reunião de dezembro, que é a última do ano. E não há chance de parar por aí o ciclo de alta, também achamos que em fevereiro pode vir a ter mais uma alta de 1%, o que levaria a Selic para 10,25%, já nos dois dígitos.”

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