Por Hugh Bronstein e Maximilian Heath

BUENOS AIRES (Reuters) – A chegada de soja e milho recém-colhidos ao porto de Bahía Blanca, na Argentina, foi interrompida no ápice da temporada de exportações devido a um protesto de caminhoneiros, que bloquearam estradas para pressionar por melhores salários, disseram autoridades locais.

Desde sexta-feira, quando os caminhoneiros deram início à manifestação, nenhum caminhão com grãos deu entrada nos terminais portuários locais, de acordo com Carlos Ortiz, membro do conselho do Consórcio de Gestão do Porto de Bahía Blanca.

“As exportações estão sendo enviadas, mas os terminais não estão recebendo mais grãos… Isso fará com que filas para os navios comecem em mais um ou dois dias”, disse Ortiz à Reuters.

A greve ocorre em momento em que o tráfego em Bahía Blanca se beneficia de problemas em Rosario, principal polo portuário do país. O baixo nível das águas do rio Paraná em Rosario fez com que as cargas que podem ser embarcadas nos navios fossem reduzidas em 25%.

Com isso, o abastecimento de navios tem ocorrido cada vez mais em portos de Bahía Blanca, no extremo sul da província de Buenos Aires, já no Atlântico. Isso aumenta os custos logísticos, ao mesmo tempo em que eleva os preços que exportadores nessas duas áreas estão dispostos a pagar a produtores por milho e soja, que são colhidos entre abril e agosto.

O transporte adicional por caminhões elevou os custos com logísticas em 300%, segundo Gustavo Idígoras, presidente da câmara de exportadoras e esmagadoras de soja CIARA-CEC. “O governo provincial precisa agir rapidamente para garantir o fluxo livre”, disse ele.

Idígoras chamou o protesto e os bloqueios de estradas de “extorsivos”.

Os caminhoneiros não são sindicalizados e não puderam ser contatados para comentários.

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