BUENOS AIRES (Reuters) – A Argentina não descarta aumentar os impostos sobre as exportações de alimentos para tentar conter a alta dos preços domésticos, disse nesta quinta-feira o governo do país, que busca controlar um avanço generalizado na inflação.

Um eventual aumento de impostos prejudicaria ainda mais a delicada relação que o governo peronista, de centro-esquerda, mantém com o setor agrícola, o mais pujante de um país que há anos lida com uma inflação próxima de 50%.

“Eu não descarto nada”, disse Cecilia Todesca, vice-chefe de gabinete, ao ser questionada sobre se o governo pode chegar a elevar as taxas de exportações de alimentos, durante uma entrevista à rádio El Destape.

“Não temos tantas ferramentas, e temos que usar tudo o que temos para poder acomodar a mesa”, acrescentou.

Atualmente, as exportações de soja pagam uma tarifa de 33%, enquanto os derivados da oleaginosa pagam 31%. Já milho e trigo têm taxas de 12%.

No mês passado, o governo argentino chegou a limitar as exportações de milho, visando reduzir os preços locais, mas voltou atrás na medida após fortes protestos da cadeia agrícola. A administração também deu a entender que poderia limitar os embarques de trigo, mas não avançou nesse sentido.

Todesca disse à El Destape que a prioridade do governo de Alberto Fernández é dialogar com produtores e agroexportadores para buscar métodos que permitam evitar fortes altas nos preços locais dos alimentos.

Apesar disso, observou que opções alternativas devem surgir desse diálogo. “A solução não pode ser que todos os preços dos alimentos na Argentina disparem porque os preços internacionais disparam”, afirmou.

(Reportagem de Maximilian Heath)

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