Parece, mas não é. São assim os golpes aplicados por falsos e-commerces. O consumidor é tentado por uma oferta incrível. Ele até desconfia, mas o site parece confiável, é bem feito, tem telefone, e-mail, endereço e outros dados de contato. Foi assim que a massoterapeuta Meline Mendonça comprou uma TV que nunca foi entregue no site Go In Magazine em agosto.

“Eu até pesquisei o nome da empresa no Procon e no Reclame Aqui e não constava nada contra eles. Mas como esse nome era novo, não havia nada contra a empresa. As reclamações apareceram agora, que mais pessoas caíram no golpe”, diz ela.

O Procon-SP não tem um dado exato de quanto aumentou os golpes aplicados contra quem compra pela internet. Mas sabe que as queixas relacionadas ao e-commerce subiram 170% no primeiro semestre de 2020 na comparação com igual período de 2019. Foram 121 mil reclamações em 2020, contra 44 mil no ano passado. Nesse número entra tudo, desde queixas sobre não entrega/demora na entrega até cobrança indevida e produto com defeito.

“Não temos o percentual exato desse tipo de golpe, é uma minoria. Mas se for 10% de todas as reclamações, é muita coisa. Por isso, precisa tomar muito cuidado”, afirma Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP.

Por que esse tipo de golpe está crescendo tanto? É um reflexo direto do aumento das compras pela internet. Com a pandemia, as pessoas passaram a comprar mais em canais digitais. Mais que isso, muitos fizeram pela primeira vez sua compra pela internet.

“Esse tipo de golpe é comum na Black Friday, quando as pessoas compram mais pela internet. Como as pessoas estão comprando mais pela internet na pandemia, os golpes cresceram agora”, disse Felipe Paniago, diretor do site Reclame Aqui.

Capez, do Procon, tem a mesma explicação. “Tem muita gente que ainda está se acostumando a comprar pela internet, por isso os golpes se multiplicaram. Os golpistas que estavam nas ruas agora estão agindo a distância”, afirma o diretor-executivo do Procon.

Para ajudar o consumidor, o 6 Minutos conversou com Capez e Paniago para preparar um guia anti-golpe do e-commerce:

Desconfie da esmola alta demais

O ditado popular se encaixa como uma luva na hora de fazer compras pela internet: quando a esmola é alta demais, o santo desconfia.

“Ninguém vende TV de R$ 5.000 por R$ 2.500, ninguém faz negócio assim. Precisa tomar cuidado com ofertas que parecem vantajosas demais, há muito risco de ser golpe”, diz Capez.

Procure lojas conhecidas

Cuidado com lojas totalmente desconhecidas ou muito novas. Não é que o novato não possa ser sério, mas é mais difícil checar o histórico de relacionamento dele.

“Uma dica que a gente dá na Black Friday serve para agora: não é hora de se aventurar e se arriscar a comprar em lojas eu não conhece. O momento é de cautela, de dar preferência para sites que já conhece, que recebeu indicação dela ou que tem boa reputação”, afirma Pniago.

Cuidado com pagamentos no boleto ou transferências

Uma das características de quem aplica golpes é receber o pagamento por boleto ou transferência bancária. Lojas corretas costumam receber por cartão de crédito, Paypal ou oferecer mecanismo de entrega garantida.

“Já é um alerta: fique esperto se o site pedir uma transferência. Fica mais difícil rastrear o golpista”, diz Paniago.

Cuidado com ofertas por e-mail ou WhatsApp

Muitos golpistas chegam até o cliente por meio de falsas ofertas enviadas por e-mail ou WhatsApp. É preciso ficar atento, pois essas mensagens fazem a pessoa clicar em link que os leva para outro site, que pode ser um falso e-commerce.

Atenção com sites clonados

Existes sites que parecem com os de lojas famosas, como Americanas.com ou Extra.com, mas são falsos. A dica é comparar a url daquele site com o do da marca verdadeira. “As lojas verdadeiras costumam ter um cadeado do lado esquerdo, precisa prestar atenção aos detalhes”, diz Paniago.

Outra dica é que o consumidor procure o produto e pesquise preços nas lojas oficiais em vez de clicar em falsas promoções

Denuncie

Se você caiu em um golpe, denuncie a loja. A sua informação vai ajudar outros consumidores a não comprarem daquele golpista.

Consumidora entrou em contato com site para saber da entrega e não obteve mais resposta

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