A pandemia acelerou a entrada de idosos no mundo digital. De olho nessa tendência, as empresas passaram a oferecer cada vez mais serviços digitais voltados exclusivamente para esse público. Cursos de ginástica cerebral e assistentes virtuais são alguns exemplos das soluções que tiveram bons resultados no ano passado.

“Antes, a pessoa fazia um monte de coisa na rua. Com a pandemia, precisou dar um jeito de fazer tudo de casa. O mercado de soluções digitais aproveitou essa carência para crescer nesse cenário”, afirma a professora da Fundação Dom Cabral Michelle Queiroz.

Por serem parte do grupo de risco para a covid-19, os mais de 32,9 milhões de idosos brasileiros passaram de invisíveis a oportunidade de negócio para muitas empresas que desenvolvem serviços digitais.

“Marcas que nunca tinham parado para pensar que o mercado tem muitos clientes com mais de 50 anos começaram a observar isso”, afirma Layla Vallias, sócia-fundadora da Hype60+Layla Vallias.

Hoje, a economia prateada (que engloba todos os produtos e serviços focados para o público com mais de 50 anos) já movimenta R$ 1,6 trilhão por ano no Brasil e R$ 7,1 trilhão em todo o mundo, segundo a Hype60+.

Crescimento da ginástica cerebral

Os idosos foram os que mais se matricularam em cursos de ginástica cerebral da rede Supera no ano passado. A empresa inaugurou 22 unidades durante a pandemia e o público com mais de 60 anos representa 43% dos alunos matriculados.

“Mesmo à distância, os idosos começaram a se envolver, a se relacionar uns com os outros. Os alunos que já estavam matriculados se mantiveram nas aulas. Isso favoreceu a manutenção de uma rotina mais adequada e produtiva, mesmo com todas as privações”, afirma o gerente comercial do Super, Cristian Silva.

As aulas utilizam conteúdos como jogos de tabuleiro e e dinâmicas de grupo para estimular a memória, concentração e raciocínio.

Outros exemplos de setores de soluções digitais que cresceram foram:

  • Cursos online;
  • Healthtechs (startups voltadas para saúde e bem-estar);
  • Produtos focados em trazer conforto e segurança para o lar, como é o caso das assistentes virtuais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Alexa, da Amazon, permite o cadastro de um contato de emergência e, caso o idoso peça ajuda, o contato será notificado.

Quem foi prejudicado? Nem tudo são flores para o mercado prateado. A pandemia diminuiu a quantidade de empregos oferecidos, o que, segundo Queiroz, impacta diretamente no consumo geral.

O turismo para terceira idade também é um exemplo que foi fortemente impactado. Uma pesquisa da Abav Nacional (Agência Brasileira de Agências de Viagens) mostrou que pessoas com mais de 65 anos representam cerca de 15% dos pacotes turísticos vendidos para destinos nacionais e internacionais. “Com a pandemia essa representatividade obviamente impactou a queda acentuada no setor”, afirma Queiroz.

Mudança de estratégia

A Maturi, empresa de recolocação profissional do público 50+, sentiu o impacto da pandemia no bolso. De março a abril, perdeu 80% do faturamento, já que as empresas parceiras deixaram de contratar esse perfil de funcionário.

Para superar a maré baixa, a Maturi mudou o foco de atuação: passou a apostar em conteúdos e cursos online de capacitação. Com isso, a base de clientes passou de 100 mil para 150 mil cadastros.

“Houve uma necessidade dessas pessoas se capacitarem para uma nova forma de trabalho”, afirma o CEO da Maturi, Morris Litvak.

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