Apesar do susto recente, com o dólar chegando a fechar a R$ 5,50 no início desta semana, a tendência é que a moeda americana encerre 2021 abaixo de R$ 5, na avaliação dos gestores que participaram no final da tarde desta quarta-feira (dia 13) do C6 Investor Talk, rodada de debates ao vivo promovida pelo C6 Bank.

A avaliação é que os estímulos que devem ser concedidos pelo governo democrata do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, e a forte demanda por commodities, das quais o Brasil é um grande exportador, tendem a valorizar o real neste ano.

Carlos Viana, chefe de pesquisa da Asset 1 e ex-diretor do Banco Central, lembra que, apesar da alta recente do dólar ter sido influenciada pela avaliação do mercado que o Fed (banco central dos EUA) subirá juros no futuro exatamente por causa dos estímulos previstos, a expectativa é que a autoridade monetária dos EUA possa se posicionar em algum momento indicando que manterá a taxa em níveis baixos.

“Se isso começar a incomodar, o Fed pode, via comunicação ou algum ajuste em compra de ativos, dizer: não vou topar essa abertura de juros em um cenário em que eu estou falando em manter a taxa em nível baixos por anos”, afirma ele, que acredita em um câmbio de R$ 4,80 ou talvez “um pouco abaixo” em dezembro.

Um dólar em R$ 4,80 também é a projeção de Carlos Kawall, diretor da ASA Investiments e ex-secretário do Tesouro Nacional.

“Se as taxas de juros lá fora subirem muito, com atuação do Fed porque a inflação não estiver indo na direção da meta, a perspectiva é de continuar sendo bom ou muito bom para o dólar, porque tem as commodities”, aponta. “Além disso, o investimento direto caiu muito, e vejo uma recuperação neste ano, com concessões e privatizações”.

Ele aponta que um dólar nesse patamar não é tão apreciado como pode parecer. “Mesmo que esse cenário se confirmar, ainda seria bem mais depreciado do que era no início de 2020”, lembra.

PIB em 2021

Para Pedro Jobim, sócio fundador da Legacy, o PIB (Produto Interno Bruto) tem condições de crescer perto de 4% em 2021. “A vacinação em curso no hemisfério norte deve permitir que em um mês, um mês e meio, tenhamos um cenário muito diferente nos Estados Unidos e na Europa. Isso implica em um cenário muito positivo para commodities e ativos de risco”, aponta. “Outra turbina da economia mundial é a China, que vem permitindo a apreciação do câmbio e possui um poder de compra sobre commodities ainda maior, ajudando os preços”.

Para Kawall, da ASA Investments, a atividade econômica deve mostrar um desempenho bem mais modesto: a aposta é em uma alta do PIB entre 2% e 2,5%. “Há uma percepção de que a poupança constituída ao longo da crise vai preencher o espaço do auxílio emergencial. Mas vemos isso com cautela, o nível de endividamento aumentou muito, o que dificulta a recuperação do crédito, e o mercado de trabalho deprimido está se recuperando lentamente”.

 

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