A Petrobras já promoveu 15 reajustes no preço da gasolina vendida para as refinarias neste ano (11 altas e quatro reduções). O último aumento, o segundo do mês de outubro, elevou em 7,05% o preço da gasolina e em 9,15% o do diesel desde terça-feira.

A pergunta que fica é quanto espaço há para novos reajustes, já que o aumento dos combustíveis pressiona a inflação e inibe o consumo em tempo de desemprego elevado. Se tudo ficar como está, ou seja, sem novos sobressaltos políticos e econômicos, a Petrobras consegue manter os preços atuais até o fim do ano, segundo Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos.

Mas se houver algum tipo de pressão adicional, Tatiana estima que pode acontecer mais um reajuste neste ano. Ela não acredita, entretanto, na possibilidade de a Petrobras fazer vários aumentos sequenciais, como era praticado nas gestões anteriores ao do presidente atual, Joaquim Silva e Luna.

A política de preços da Petrobras mudou? Não, a política é a mesma. “A Petrobras adotou uma política de correção que olha para a paridade externa. Ela acompanha os preços do petróleo e diesel no mercado externo, converte em reais e compara com os preços praticados internamente. Essa diferença não pode ficar muito grande”, disse Tatiana.

O próprio Silva e Luna disse e repetiu que nada mudou na política de preços dos combustíveis. “Continuamos trabalhando da mesma forma, acompanhando a paridade internacional e o câmbio, analisando permanentemente para ver se as oscilações são conjunturais.”

Os preços internos estão acompanhando os internacionais? Não. Mesmo com tantos aumentos, os preços continuam defasados em relação aos praticados no mercado internacional, segundo o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, Sérgio Araújo. A gasolina está com o preço no mercado interno 7% abaixo do exterior, e o do diesel, 9%.

Por que isso vem acontecendo? É que os reajustes de preços ficaram mais espaçados e a defasagem de preços vem aumentando. “Desde a mudança de presidente, a Petrobras tem sido mais tolerante com a defasagem de preço. Eles argumentam que não abandonaram a política de preços, mas podem demorar mais para fazer o repasse até entender se a defasagem é temporária ou permanente”, afirma Tatiana.

Segundo ela, a diferença de preços tolerada anteriormente era de até 5%. “Agora, ficou normal que essa defasagem fique na casa dos 10%.”

Por que, então, dois reajustes em outubro? Porque a defasagem chegou a passar de 20%. “A diferença ultrapassou 20%, a Petrobras deu um reajuste. Mas a defasagem continuou e foi preciso dar outro aumento”, afirma a economista.

Deve haver mais reajustes? Para Tatiana, há pouco espaço para mais reajustes da mesma proporção ainda neste ano. “O câmbio já está estressado e o preço do petróleo já está no valor máximo de US$ 85. Não acreditamos que esses dois fatores pressionem mais, pois já estão no nível alto. Pode haver até mais um reajuste, mas não sequenciais como ocorria antes.”

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