A combinação de juros baixos e melhora na renda tem levado muitos analistas a prever um ano excelente para o setor de construção civil. Um levantamento feito pela consultoria KPMG mostrou que o setor imobiliário está aquecido também nos bastidores. As fusões e aquisições de empresas do segmento cresceram 133% no ano passado — foram 77 operações, no total, frente a 44 em 2018.

Como foram essas operações? Os dados da KPMG detalham a natureza dessas fusões e aquisições (se foram entre empresas brasileiras, ou entre empresas locais e estrangeiras). Veja abaixo:

  • 68 operações domésticas, entre empresas brasileiras;
  • 7 aquisições de empresas brasileiras realizadas por empresas estrangeiras;
  • 1 aquisição de empresa estrangeira realizada por empresa brasileira;
  • 1 aquisição realizada por empresa estrangeira de um empreendimento estrangeiro no Brasil.

Observando o padrão, é possível concluir que a maior parte dos negócios foram feitos localmente, o que indica que o movimento tem mais a ver com fatores positivos domésticos.

E quais fatores seriam esses? As entidades que representam o setor de construção civil esperam um crescimento de 3% para 2020. No entanto, o grande destaque será o de lançamento de imóveis residenciais e comerciais.

A taxa básica de juros, que baliza o custo do crédito para a compra de imóveis, caiu de 6,5% em janeiro de 2019 para 4,5% no final do ano — agora, ela está em 4,25%. Além de baratear os financiamentos e permitir que mais famílias consigam comprar um imóvel, a redução da taxa de juros também beneficia as construtoras e incorporadoras, que conseguem se capitalizar a um custo menor.

Essa perspectiva de redução de custos e aumento de vendas tem levado incorporadoras e construtoras a unir forças. A consolidação é uma forma de aumentar o investimento potencial dessas empresas, além de dar mais solidez aos projetos. É comum que setores em crescimento passem por essa fase de consolidação.

“Muitas empresas nacionais e estrangeiras têm adotado fusões e aquisições como estratégia de crescimento e fortalecimento dos seus negócios no Brasil. Os dados da pesquisa podem ser interpretadas como uma consequência da melhoria gradativa da economia nacional”, analisa o sócio-líder da área de fusões e aquisições da KPMG no Brasil, Luís Motta.

Pode falar um pouco mais sobre esses negócios firmados no ano passado? A Gafisa firmou uma fusão com a incorporadora paulista Upcon, no final de 2019. Juntas, as empresas esperam lançar empreendimentos com um valor somado de R$ 1 bilhão em 2020.

A Cyrela comprou da WTorre parte do empreendimento comercial que engloba o shopping JK Iguatemi, em São Paulo. O negócio custou mais de R$ 1 bilhão, e foi firmado no final de novembro do ano passado. Já a MRV fez uma aquisição no exterior. A construtora mineira adquiriu 51% das ações de uma incorporadora americana, a AHS Residential.

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