O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta quinta-feira (13) que o banco perdeu, com o passar dos anos, vários benefícios que tinha pelo fato de ser estatal, e que só ficaram os problemas dessa condição.

Sem essas restrições o BB ultrapassaria os concorrentes, afirmou ele, que admitiu que uma eventual privatização enfrenta resistência do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do Congresso.

“Foi-se o bônus, ficou o ônus”, afirmou ele, durante divulgação do balanço do quarto trimestre. “O BB já se beneficiou do fato de ser estatal, tinha uma reserva de mercado em folha de pagamento, administração de depósitos judiciais, entre outros. Essas benesses acabaram, tudo é disputado, tudo tem um preço”.

Ele afirmou acreditar que o banco já deveria começar a pensar em um processo de privatização, que será inevitável no futuro por causa da concorrência com fintechs (startups do setor financeiro) e bancos digitais, de acordo com ele.

“Não teria trauma nenhum, vende 5% do capital do banco, mudaria muito pouco”, disse. “Quando falo em privatização das pessoas imaginam uma revolução, mas não é nada disso. É se ver livre das amarras que o setor público impõe”, disse.

Novaes tenta emplacar política de RH própria do BB. Entre as restrições enfrentadas por estatais, ele citou que a política de recursos humanos deve seguir as regras da Sest (Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais), do Ministério da Economia.

O BB está tentando conseguir autorização da secretaria para que empresas de capital aberto possam definir suas próprias regras de RH.

“Essa é uma das amarras das quais estamos tentando nos ver livres. Se pudéssemos nos ver livres dessas amarras, talvez nem precisássemos falar em privatização”, afirmou Novaes.

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