A agência de classificação de risco Fitch Ratings informou nesta terça-feira (dia 5) ter revisado para “negativa” a perspectiva para a nota de crédito soberano do Brasil, citando a deterioração do cenário econômico e fiscal do país e a renovada incerteza política.

O que esse rating? A nota soberana, ou rating, reflete a capacidade de pagamento de um país aos investidores dos seus títulos de dívida.

O que pesou? Além da preocupação com o aumento de gastos por conta da pandemia de coronavírus e das brigas entre o presidente Jair Bolsonaro, o Congresso e o STF, a Fitch apontou dúvidas sobre a duração e intensidade da disseminação do coronavírus no Brasil como razão para a mudança.

Antes, a perspectiva para a nota era “estável”. Atualmente, o rating brasileiro da agência é de “BB-“.

Isso quer dizer que a agência reduziu a nota do Brasil? Não. Antes de tomarem esse tipo de decisão, as agências de classificação de risco indicam a tendência da nota, se negativa, estável (como estava a nota brasileira na Ficht até então) ou negativa.

Ao mudar essa tendência para negativa, a agência está indicando que o Brasil tem mais chance de ter sua nota reduzida do que mantida no futuro.

Como funcionam as notas das agências de classificação de risco para um país? Em geral, as principais agências usam escalas representadas por letras e sinais matemáticos, que medem o risco de não pagamento do país aos investidores de suas dívidas. Normalmente, essas escalas vão de D (a nota mais baixa) até AAA (a mais alta).

A nota atual do Brasil na Fitch, -BB, está três degraus abaixo do mínimo necessário para o grau de investimento (investment grade em inglês), que é a nota que serve como uma espécie de selo ou atestado de confiabilidade de um país em honrar em dia os seus pagamentos.

Por quê isso é importante? Muitos fundos de investimento, por exemplo, se baseiam na recomendação das agências de classificação de risco para investirem ou não em um país. Uma nota menor pode atrair menos recursos para o Brasil.

Qual a perspectiva da agência para o PIB brasileiro? A Fitch projeta que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro contrairá 4% em 2020, antes de aumentar 3% em 2021.

(Com a Reuters)

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