SÃO PAULO (Reuters) – Os agricultores do Rio Grande do Sul esperam que a safra de soja 2020/21, cujo plantio já foi concluído, traga “alento” ao setor e a possibilidade de usufruir dos preços remuneradores do grão, após uma quebra significativa na temporada anterior, disse nesta quarta-feira a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro/RS).

Segundo a entidade, a cultura tem apresentado bom desenvolvimento até o momento, com um avanço de cerca de 2% na área plantada em relação à safra passada, atingindo mais de 6 milhões de hectares. Além disso, a expectativa é de que o período seja de “normalidade”.

“Temos a cultura praticamente plantada, se tivermos alguma coisa é a safrinha na região das Missões e Alto Uruguai, em regiões com uso de pivô. O plantio foi feito dentro do zoneamento climático e isso gerou a expectativa de uma safra normal”, disse em nota o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires.

Ele afirmou que é fundamental que a nova safra seja de normalidade após a quebra de 47% no ano anterior. A semeadura de soja gaúcha na atual temporada foi atrasada por uma seca no início dos trabalhos, mas chegou ao fim na última semana, segundo dados da Emater-RS.

As expectativas de remuneração favorável à soja acompanham uma forte alta recente nos preços da oleaginosa na bolsa de Chicago, que atingiram máximas de seis anos e meio diante de preocupações com a oferta apertada da commodity.

A soja do Brasil, maior produtor e exportador do grão, também tem sido favorecida pela desvalorização do real frente ao dólar, que a torna mais competitiva no mercado internacional, além da firme demanda externa, especialmente da China.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) espera que o Rio Grande do Sul colha uma safra de 19,8 milhões de toneladas de soja neste ano, ante 11,4 milhões de toneladas na safra passada.

O Estado é o terceiro maior produtor da oleaginosa no Brasil, atrás somente de Mato Grosso e Paraná.

“Temos regiões com potenciais enormes, bem diferente do ano passado. Tomara que os produtores e as cooperativas tenham uma safra normal e consigamos comercializar nestes preços especiais que o mercado está pagando hoje”, disse Pires.

TRIGO E MILHO

No comunicado desta quarta-feira, a FecoAgro/RS também chamou atenção para as perdas de 30% na safra de trigo 2020 do Rio Grande do Sul, já colhida, após geadas em agosto e um período de seca na sequência.

As cooperativas, segundo a entidade, tiveram queda de 16% no recebimento da cultura, que antes dos problemas climáticos chegou a apresentar sinais de recuperação.

A mesma seca que prejudicou o trigo, disse a FecoAgro/RS, também frustrou a safra de milho gaúcha. Diante de problemas no início do cultivo, a federação aponta que pelo menos 37% da produção do cereal no Estado foi perdida.

“Foi uma perda de forma distinta. Tivemos muitas perdas totais em regiões mais quentes como as Missões e Santa Rosa e outras regiões mais frias que deveremos ter uma safra até normal”, disse Pires.

Ele destacou que, com uma produção estimada em 3,5 milhões de toneladas e consumo de 7 milhões de toneladas, “temos um déficit que precisaremos trazer de algum lugar para alimentar a produção integrada do Rio Grande do Sul”.

(Por Gabriel Araujo)

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