FRANKFURT (Reuters) – A inflação na zona do euro provavelmente foi mantida mais elevada por fatores temporários durante os lockdowns do ano passado, já que alguns bens ficaram difíceis de conseguir e empresários hesitantes adiaram o corte de preços, mostrou um estudo do Banco Central Europeu nesta segunda-feira.

Os autores concluíram que é importante para as autoridades do BCE filtrar esses e outros fatores relacionados à oferta de bens e serviços para se concentrar em como a pandemia estava deprimindo a demanda, reforçando a necessidade de estímulo.

A inflação na zona do euro desacelerou fortemente em março, mas os preços só começaram a cair em agosto. A inflação permaneceu em território negativo até o final do ano, antes de provavelmente se recuperar em janeiro, quando alguns cortes de impostos expiraram.

O estudo do BCE descobriu que essa reação tardia pode ser devido a fatores como interrupção do fornecimento, uma relutância inicial em oferecer descontos e a dificuldade de adivinhar o preço de bens que não estavam mais à venda, como pacotes de férias.

“Evidências recentes do impacto dos lockdowns iniciais sugerem que os efeitos de oferta associados exerceram pressão de alta sobre a inflação de certo modo”, disseram os autores Derry O’Brien, Clémence Dumoncel e Eduardo Gonçalves. “Os lockdowns também apresentaram dificuldades de coleta de preços para os estatísticos.”

(Por Francesco Canepa)

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