Uma razão pela qual muitas autoridades se recusam a entrar em pânico com a inflação é que milhões de empregos ainda estão em falta na economia mundial.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima o déficit global de empregos devido à pandemia em 75 milhões neste ano. A entidade não espera que a diferença seja eliminada em 2022, quando o mundo provavelmente ainda terá 23 milhões de empregos a menos do que se via antes da Covid, apesar da recuperação econômica.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) repete o alerta da OIT, afirmando que o desemprego permanecerá acima dos níveis pré-crise em muitos países no próximo ano.

Com tanta gente ainda sem ocupação, os que estão empregados terão dificuldade para exigir aumentos salariais — embora o custo de vida esteja subindo rapidamente em grande parte do mundo porque gargalos de abastecimento e disparada da demanda acompanham o grande movimento de reabertura das atividades após a suspensão das restrições de mobilidade.

Sem espiral que move salários e preços

Isso não significa que ninguém receberá aumento. Os salários têm subido nos EUA e em outros países, especialmente em setores que se apressam para recompor os quadros de funcionários à medida que os clientes voltam.

Mas a chamada espiral de salários e preços — que configura um risco inflacionário temido por economistas e investidores, no qual salários mais altos e preços mais altos se retroalimentam — dificilmente se tornará uma urgência global. Isso permite que os governos e bancos centrais continuem fazendo o que têm feito desde o início do ano passado, ou seja, apoiando economias abaladas pela pandemia com gastos públicos e juros menores.

“Ainda faltam muitos empregos”, disse Rob Subbaraman, chefe de pesquisa de mercados globais da Nomura Holdings. “Para me preocupar com uma espiral de salários e preços, eu precisaria ver aceleração adicional dos reajustes salariais no terceiro trimestre, junto com uma alta acentuada nas medidas de expectativa de inflação.”

O que dizem os economistas da Bloomberg

As expectativas de inflação aumentaram nos últimos meses. A continuidade da escalada seria motivo de preocupação. Mas até agora, o aumento a partir dos níveis deprimidos do passado é mais bem-vindo do que alarmante.

Muitas economias tiveram aceleração dos preços nos últimos meses. Nos EUA, a inflação ao consumidor saltou para 5% nos 12 meses até maio, o maior nível em mais de uma década. A inflação na Zona do Euro está em 2%, pouco acima da meta do Banco Central Europeu, mas o Bundesbank diz que a taxa na Alemanha pode avançar para 4% no final deste ano.

A movimentação nos mercados de renda fixa também sugere expectativa de alta mais rápida dos preços do que antes da pandemia. Nos EUA, a taxa esperada para os próximos cinco anos atingiu um ponto máximo de 2,8% em maio e permanece bem acima dos níveis pré-pandêmicos.

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