Os sinais de que a economia do país está se recuperando animou as famílias, pelo menos da cidade de São Paulo, a voltar a consumir. Em novembro, o endividamento atingiu 60,5% dos lares da capital paulista em relação a igual mês do ano passado. É o maior percentual desde 2010, quando a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) começou a ser feita mensalmente pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Em 2010, a economia do país estava a pleno vapor.

O que esse número significa? Embora o termo endividamento nos remeta à  dívida e inadimplência, que são considerados como ruins, ele também mostra famílias mais disponíveis e dispostas a consumir. O cenário de juros menores, inflação controlada e aumento da oferta de crédito pelos bancos deixa as famílias confiantes de que a economia vai melhorar. Logo, a decisão de compra, com pagamento parcelado ou não, deixa de ser uma ameaça.

Como esse dinheiro está sendo consumido? A Peic identificou cinco principais “linhas” de gasto:

  • 75,5% das famílias paulistanas usam cartão de crédito
  • 7,3% cheque especial
  • 13,8% carnê
  • 10% assumiram compromissos com o financiamento de carros
  • 10,9% com o financiamento habitacional

Qual o destino desse dinheiro? Mais para fazer compras (79,6%) e menos para quitar dívidas (10,9%). “É um indicativo de que as condições estão melhorando, aliado a oferta de crédito menos seleta, por conta de uma taxa de juros cada vez mais baixa”, mostra o relatório da Peic.

Que classes sociais a pesquisa considera? O público é dividido em dois grupos: quem recebe cerca de R$ 10 mil reais, ou 10 salários mínimos, e quem ganha mais que isso.

Como está a inadimplência? A Peic considera dois tipos de inadimplência. O grupo dos que têm contas em atraso, que caiu de 22,8% para 21,9% entre outubro e novembro, e os sem condições de arcar com as dívidas, cerca de 9% das famílias entrevistadas. O cenário é pior que em novembro do ano anterior, quando os inadimplentes sem condições de pagar suas contas eram 8,7%.

Qual o impacto da liberação de R$ 500 do FGTS nesses números? O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) significou mais dinheiro na praça e complementou o cenário de mais oferta de crédito, juros baixos e inflação sob controle. Segundo a Fecomercio-SP, o aumento do consumo na forma como tem se dado independe dos R$ 500 do FGTS.

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