As micro e pequenas empresas terão uma necessidade de crédito que não deve ser atendida pelos bancos da ordem de R$ 202 bilhões em 2020. A conclusão faz parte de um estudo divulgado hoje pela FGV/Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas). Essa lacuna pode ser ainda maior, dependendo dos efeitos do coronavírus para a economia e da eficácia dos programas de crédito para esse tipo de atividade.

Como estudo chegou a esses R$ 202 bilhões? O estudo leva em conta o impacto da pandemia no faturamento de cada segmento e sai necessidade de capital giro. Considerando esses formatos de empresa, a demanda de crédito será de R$ 472 bilhões em 2010. Com base na oferta de crédito das instituições financeiras em 2019, que foi de R$ 270 bilhões, sobra uma lacuna de R$ 202 bilhões.

Quais empresas são essas? São as classificadas como MEIs (microempreendedores individuais), MEs (microempresas) e EPPs (empresas de pequeno porte. No país existem:

  • MEI: 9,8 milhões
  • ME: 6,6 milhões
  • EPP: 900 mil

Quanto cada uma precisará de crédito? De acordo com o estudo, as Mês são as que mais demandarão crédito:

  • MEI: R$ 66 bilhões
  • ME: R$ 210 bilhões
  • EPP: R$ 196 bilhões

Por que essa necessidade de crédito? Porque essas empresas ficaram muito tempo fechadas durante a pandemia. E mesmo as que não pararam de funcionar tiveram uma queda brusca de faturamento.

“O faturamento é a grande fonte de financiamento das micro e pequenas empresas. Elas se financiam com o dinheiro que entra no caixa, à vista ou não, com antecipação de recebíveis”, diz Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV e um dos autores do estudo.

Esse cenário pode ser melhor ou pior? Sim. O estudo trabalha com esse cenário de lacuna de crédito de R$ 202 bilhões e com um mais otimista (R$ 116 bilhões) e outro mais pessimista (R$ 289 bilhões). A diferença entre o otimista e o pessimista é que o primeiro calcula que a queda de faturamento será 10% menor que a prevista no cenário base, enquanto a pessimista estima que o recuo de receita será 10% maior.

Quais os segmentos que mais demandarão crédito? O setor de comércio varejista seria responsável pela absorção da maior porção dos empréstimos, seguido pelo setor de alimentação e pela indústria de transformação.

Os programas anunciados devem reduzir essa lacuna? Para Gonzales, os programas anunciados até agora se mostraram insuficientes para atende a demanda das micro e pequenas empresas. “Mesmo antes da pandemia, os bancos já vinham emprestando menos que em 2019 para as micro e pequenas empresas.”

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