Entre maio e julho de 2020, no auge da primeira onda da pandemia de coronavírus, as exportações de seringas e agulhas, cruciais para a vacinação em massa contra a covid-19, cresceram quase 200% em volume, mostram estatísticas oficiais de comércio exterior. Foram 221 toneladas de seringas exportadas no período, alta de 196% em relação ao período entre maio e julho de 2019 — em valores, as vendas totalizaram US$ 1,8 milhão, 137% a mais na mesma comparação.

A maior parte desses produtos foi para o Chile, o primeiro país da América do Sul a começar a aplicação da vacina em sua população. Ao longo desses três meses, quando as vacinas ainda estavam sendo desenvolvidas, o país vizinho aumentou suas compras de seringas e agulhas do Brasil em mais de 600%.

As exportações desses produtos para outros países representam pouco em relação às importações, que tradicionalmente são 10 vezes maiores. Mas o número ajuda a ilustrar o atraso do governo federal no planejamento do combate à pandemia: há meses representantes do setor de equipamentos médicos alertam o Ministério da Saúde sobre a importância de programar a imunização com antecedência.

Cinco meses depois do pico, governo limita exportações

Neste final de semana, cinco meses após esse pico de vendas para outros países, o Ministério da Economia passou a requerer uma licença especial para exportações de seringas, restringindo os embarques.

A medida do último fim de semana, restringindo as vendas para outros países, aconteceu após o governo fracassar na tentativa de compra de 331 milhões de seringas em um leilão na última terça (dia 5) –a aquisição foi de apenas 8 milhões, ou 2,5% do pretendido.

Outra opção com a qual o governo trabalha, que deve ter um impacto bem maior, é o pedido para zerar a tarifa de importação de agulhas e seringas. No ano passado, até novembro (último dado disponível), o Brasil importou US$ 49,5 milhões desses produtos, segundo estatísticas do governo federal –no mesmo período, as exportações somaram apenas R$ 4,3 milhões.

Escassez pode prejudicar vacinação

Para especialistas, a demora na apresentação de um plano definitivo para a aplicação da vacina contra a covid-19 por parte do governo Ministério da Saúde pode colocar o Brasil na posição de ter o imunizante, mas não ter seringas em número suficiente para a vacinação em alta escala.

O superintendente da Abimo (Associação Brasileira de Artigos e Equipamentos Médicos), Paulo Henrique Fraccaro, relatou a diversos veículos de comunicação que o setor não tem estoque e precisa de um período de até cinco meses para atender a grandes pedidos. Segundo ele, desde julho a associação alerta o governo para esse problema, mas não recebeu encomendas nem um cronograma.

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