Os Estados Unidos informaram que o Brasil terá uma cota preferencial adicional de 80 mil toneladas para exportar açúcar aos norte-americanos, como contrapartida a recentes negociações entre os dois países que envolveram a extensão de uma cota para importação de etanol livre de taxa que beneficia os EUA, disse o presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter.

Com isso, a cota para o açúcar brasileiro nos EUA passa de 230 mil para 310 mil toneladas e, por lei, beneficiará exclusivamente os produtores do Nordeste, conforme a postagem.

O volume liberado por ano para o Brasil –dentro de sistema de cotas dos EUA que prevê tarifas reduzidas ou isenção tarifária– não chega a 10% do que o país, maior produtor global, tem exportado por mês.

Não foi possível falar imediatamente com representantes das indústrias do Nordeste, que geralmente também são aquelas mais afetadas pelas importações de etanol norte-americano.

Uma fonte do setor, que falou na condição de anonimato, afirmou que esse volume adicional extra “não é uma conquista, é praxe essa realocação de cota”.

O presidente brasileiro, contudo, ressaltou a concessão norte-americana.

“Trata-se já do primeiro resultado das recém-abertas negociações Brasil-EUA para o setor de açúcar e álcool, conduzidas no Brasil pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores) e nos EUA pelo USTR (Representante Comercial dos EUA)”, disse Bolsonaro.

No dia 11 de setembro, o governo brasileiro decidiu estender por três meses uma cota de importação de etanol sem tarifa, em sinalização para abrir negociação visando melhores condições para a exportação de açúcar brasileiro aos Estados Unidos.

Após a medida, a nova cota para o biocombustível ficou em 187,5 milhões de litros, segundo o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

A medida desagradou produtores de etanol no Brasil e nos EUA. Os norte-americanos defendem livre comércio, sem cotas, enquanto os brasileiros afirmam que os EUA colocam tarifas que inviabilizam exportações de açúcar ao país da América do Norte.

Enquanto na cota a tarifa é de US$ 0,625 centavo por libra-peso, a taxa para volumes acima da cota é de US$ 0,1536  de dólar por libra-peso, para o produto bruto, e de 16,21 centavos para o adoçante refinado.

O valor da tarifa para volume superiores à cota está acima do preço do açúcar negociado na bolsa de Nova York, que oscila atualmente em torno de US$ 0,125 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o governo dos EUA, a maioria dos países tem isenção de tarifa dentro da cota, seguindo o Sistema Geral de Preferência dos EUA.

Além da tarifa maior, para volumes acima da cota, há uma salvaguarda baseada em valor ou quantidade de açúcar importado.

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