Está difícil entender o que aconteceu com o mercado de trabalho? É mais que compreensível, afinal o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje cedo que a taxa de desemprego subiu para 14,2% em novembro, a maior da série histórica da pesquisa Pnad Covid-19.

Pouco tempo depois, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, mostrou que foram criadas 414 mil vagas formais no mês passado, o maior resultado mensal da história.

O que é que está valendo, então? Primeiro, é bom entender que os dois dados são termômetros do mercado de trabalho, mas medem coisas diferentes. O Caged mostra apenas o saldo de empregos com carteira assinada a partir das informações enviadas pelas empresas.

Ou seja, o Caged não pega outras variáveis do mercado de trabalho, como a taxa de informalidade ou de desistência da busca pelo emprego, como a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).

Mas o que pesou na diferença desse mês? Foi o aumento do número de pessoas procurando emprego. “O Caged bateu recorde de saldo de empregos, mas o número de pessoas procurando emprego também aumentou. Por isso que tem essa dupla informação”, afirma o economista Daniel Duque, pesquisador do Ibre FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Que números são esses? Veja evolução da força de trabalho, que soma o total da população ocupada e desocupada:

  • Maio: 94,533 milhões
  • Junho: 95,264 milhões
  • Julho: 93,737 milhões
  • Agosto: 95,068 milhões
  • Setembro: 96,421 milhões
  • Outubro: 96,897 milhões
  • Novembro: 98,699 milhões

E por que isso está acontecendo? Por várias razões. Uma delas é que muitas pessoas que estavam recebendo o auxílio desemprego tinham parado de procurar emprego. Agora, com a redução do benefício e proximidade do seu fim, os brasileiros voltaram a procurar emprego.

Além disso, uma parte dessas pessoas tinha saído da força de trabalho porque estava em isolamento social ou por conta das medidas de restrição. Com a flexibilização das medidas, esse contingente voltou a procurar emprego.

“A população ocupada se aproximou do patamar de março, apesar da taxa de desocupação maior. Isso porque temos mais pessoas pressionando o mercado de trabalho em busca de uma ocupação. Esses números refletem a flexibilização das medidas de distanciamento social, com mais pessoas mês a mês deixando de estar fora da força de trabalho”, afirmou a coordenadora da pesquisa Pnad Covid-19, Maria Lucia Viera.

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