Depois de criticar a proposta de criação do Renda Brasil, o governo anunciou hoje o programa Renda Cidadã, que deve substituir o Bolsa Família. O novo programa social será financiado com o dinheiro de precatórios e recursos do Fundeb, o fundo para a educação básica.

Para Fabio Klein, economista da Consultoria Tendências, soa estranho utilizar essas duas fontes de recursos para financiar o Renda Cidadã. “O Fundeb tem uma destinação específica que é o financiamento da educação básica no Brasil. Ao usar o Fundeb, o governo tira do estudante da escola pública para dar para o paupérrimo”, diz ele se referindo a uma frase do presidente Jair Bolsonaro quando enterrou o Renda Brasil.

O que disse Bolsonaro sobre o Renda Brasil? Ao criticar propostas da equipe econômica que previam cortes em benefícios para deficientes ou congelamento de aposentadorias, ele disse que jamais prejudicaria quem já está em situação difícil. “Eu já disse que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar aos paupérrimos”, afirmou Bolsonaro.

E a questão do precatório? Para Klein também parece estranho usar os precatórios, porque eles nada mais são do que dívidas que o governo tem para pagar em ações movidas por pessoas ou empresas. “Se o precatório tem um problema de gestão, pegar esse problema e utilizá-lo não pode ser solução para outro problema [financiar o Renda Cidadã].”

O relator da PEC da reforma tributária, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), disse que há R$ 55 bilhões de precatórios no Orçamento. A proposta fixa 2% da receita corrente líquida para pagar os precatórios. “O que sobrar vai para o Renda Cidadã”, disse Bittar.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).