Você sabe quantas horas um entregador de app precisa trabalhar por dia para ganhar R$ 100? Os profissionais chegam a rodar 12 horas por dia para ganhar esse valor, segundo cálculos de entidades que representam a categoria. Mas o pior, segundo eles, é ser bloqueado sem nenhuma explicação ou não poder folgar nenhum dia da semana para perder nota no sistema de pontuação criado pelas empresas.

Cansados de tudo isso, entregadores de apps como iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi marcaram uma nova greve para este sábado, dia 25. É o #brequedosapps, que promete mobilizar entregadores de apps em todo o país.

O que os entregadores reivindicam?

  • Aumento do valor pago por km
  • Aumento do valor mínimo
  • Fim da restrição de local
  • Fim do sistema de pontuação
  • Fim dos bloqueios indevidos
  • Seguro de vida, acidente e moto
  • Auxílio pandemia (equipamentos de proteção individual)

Qual dessas questões é a mais emergencial? Alessandro da Conceição, o Sorrizo, presidente da Associação de Entregadores e Motofretistas Autônomos do Distrito Federal, diz que os bloqueios indevidos e o sistema de pontuação são os que mais prejudicam os entregadores hoje.

Como funciona o bloqueio? Da noite para o dia, sem aviso prévio, o app bloqueio o entregador, que deixa de receber pedidos de entrega. Sorrizo diz que muitos bloqueios acontecem por má-fé do cliente, que recebe o pedido, mas informa que não chegou. “O app não quer saber se o erro foi do cliente, simplesmente bloqueia o entregador, que perde seu ganha pão. Não liga, não tenta entender o que aconteceu”, afirma Sorrizo.

Como funciona o sistema de pontos e restrição de local? O presidente da associação diz que os motociclistas precisam de uma pontuação mínima para receber pedidos ou para ter acesso a todos os locais de entrega. “Se o entregador tirar um dia de folga, perde pontos e nos dias seguintes não recebe pedidos. Se recusar um pedido, perde pontos. É uma forma de obrigar a pessoa a aceitar todos os pedidos e a trabalhar todos os dias.”

E a questão de remuneração? Sorrizo diz que os entregadores costumam trabalhar com a meta de tirar R$ 200 por dia. E que até pouco tempo atrás, eles precisavam trabalhar de seis a oito horas para bater essa meta. Hoje, eles têm que trabalhar de dez a doze horas para ganhar metade da meta. “Não temos mais tempo para ficar com a família.”

Qual é a melhor empresa para trabalhar? O líder dos entregadores afirma que todas têm esses problemas. “A única que não tem pontuação é a Loggi, mas ela paga taxas muito baixas. O entregador praticamente paga para trabalhar.”

O que as empresas dizem?

iFood: Em nota, o iFood diz já atende à maioria das reivindicações feitas pelo movimento dos entregadores. “Opera com valor mínimo de entrega de R$ 5, independentemente da distância percorrida, distribui equipamentos de proteção individual e para quem não retirou os kits de proteção repassou o valor de R$ 30 para compra de materiais, e oferece seguros de vida e contra acidentes. O iFood reconhece que há muito a ser feito e continua, como sempre esteve, aberto ao diálogo.”

Rappi: diz que oferece desde o ano passado seguro contra acidente pessoal, invalidez permanente e morte acidental. Sobre o valor do frete, afirma que ele varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido.

“Os bloqueios na plataforma são restritos ao não cumprimento dos Termos e Condições e há um canal – dentro do aplicativo do entregador – para que possam ser revistos (abrindo um tíquete dentro na seção Centro de Ajuda / Suporte / Minha Conta / Estou Desativado)”, afirma.

Uber Eats: não se manifestou.

99: não se manifestou.

O que os clientes podem fazer a respeito? Os entregadores pedem que os clientes não façam pedidos e que deem notas baixas para os apps nas lojas de aplicativos. Nas redes sociais há mobilização de apoio ao movimento.

 

 

 

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