Blockchain é uma palavra esquisita para muita gente ainda. Mas os mais chegados no assunto defendem que o blockchain é uma tecnologia capaz de deixar processos mais transparentes e descentralizados. Em certa medida, também mais confiáveis, rápidos e baratos.

São aspectos importantes para a retomada da economia no pós-crise do coronavírus, tanto para quem entende quanto para quem está mais distante do mundo da tecnologia. O blockchain não vai resolver todos os problemas, mas é parte da solução na medida em que agiliza processos na construção civil, mercado de capitais e investimentos, registros e transferências bancárias. São setores fundamentais para a recuperação e crescimento da economia, e podem ser otimizados com a tecnologia do blockchain.

O que dizem os especialistas? “Na pandemia, ficou urgente agir sem se deslocar e as pessoas intensificaram a busca pela otimização dos processos. O blockchain é um meio para isso”, define Luiz Antonio Sacco, diretor-geral da Ripple, plataforma de processamento de blockchain para instituições financeiras. Ele alega que o blockchain significa menos burocracia, mais simplicidade (no embalo da descentralização) e menor custo.

Mas isso não significa que a tecnologia vai cair na boca do povo, ressalva o especialista em blockchain da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) Gabriel Rhama. O uso de blockchain deve ficar mais restrito a empresários do que ao consumidor final, que deve ser beneficiado pelo produto em vez de aprender a usar a tecnologia ele próprio.

Me dá um exemplo de uso de blockchain?  É o blockchain que está por trás da tecnologia empregada no PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, conta Rhama. Todas as transações são feitas usando um código específico, e o processo de checagem, validação e conclusão do processo é mais rápido do que seria se fosse de um banco para outro, fora do PIX.

As transações internacionais, do Brasil para os Estados Unidos, por exemplo, também podem ser feitas com uso de blockchain. Uma casa de câmbio ainda é necessária, mas o processo dispensa bancos e reduz algumas taxas. O envio de dinheiro via blockchain já é possível e sai menos caro do que as transações convencionais.

Como o blockchain é aplicado nos setores tradicionais?  Rhama destaca o caso da construção civil, que pode ter partes financiadas por pequenos investidores nacionais e internacionais. O modelo já existe no Brasil e chegou a ser destacado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) em 2018.

Funciona assim: pequenos investidores nacionais e internacionais compram partes da dívida da obra e têm tudo descrito em um código de blockchain. Ao final do contrato, recebem o valor investido acrescido de uma taxa de juros. O processo, explica Rhama, é mais estável que a compra de títulos de dívida convencionais, e para o construtor, é mais barato que emissão de debêntures, hoje acessíveis só a grandes empresas.

O setor da construção é fundamental para o crescimento de uma economia. Se ele tem mais acesso a capital, pode se desenvolver a um ritmo mais acelerado.

No mundo dos cartórios, registros de diferentes esferas estão sendo feitos no formato e código de blockchain. Isso tende a dispensar a presença física nos cartórios e reduzir muito o preço de todo o trâmite. Rhama conta do cartório Azevêdo Barros, no estado da Paraíba, que já faz registro de nascimento e casamento no formato de blockchain.

Registros imobiliários também já começam a ser feitos sob o guarda-chuva do blockchain.

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