Com o afrouxamento das medidas de isolamento social nos últimos meses, o setor de serviços às famílias vem apresentando uma recuperação importante, apesar de ainda não ter voltado aos níveis pré-pandemia.

Há uma exceção a essa regra, segundo dados do Banco Central.

O segmento “outros serviços pessoais”, que é composto principalmente por cabeleireiros e manicures, retornou ao patamar de vendas dos meses de janeiro e fevereiro, em uma retomada mais rápida do que categorias como alimentação, hospedagem e atividades esportivas.

O levantamento do BC foi feito com base em dados de cartão de débito da CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), responsável por registrar todas as transações feitas no comércio eletrônico brasileiro.

Mas a situação ainda está longe de poder ser comemorada para o setor de serviços. Os dados mostram ainda que os serviços de alimentação, que possuem o maior peso no setor, ainda está 7% abaixo do observado no primeiro bimestre do ano.

“As atividades culturais, de recreação e lazer possuem a retomada mais lenta”, explica a autoridade monetária no documento, apontando um faturamento 53% abaixo do nível pré-pandemia para esse segmento. “Grande parte desses serviços ainda não estão funcionando normalmente na maioria dos estados”.

O setor de serviços como um todo cresceu 1,8% na passagem de agosto para setembro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE. Foi o quarto resultado mensal consecutivo, mas o ganho acumulado, de 13,4%, ainda é insuficiente para compensar as perdas de 19,8% entre fevereiro e maio.

Reprodução/ Banco Central

Deslocamento de bens para serviços

Na avaliação do economista Lucas Maynard, do Santander Brasil, apesar da retomada ainda não ter sido suficiente para recuperar as perdas, há uma tendência em curso de deslocamento de compra de bens para o consumo de serviços.

Dados da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que o comércio varejista teve um crescimento no volume de vendas de 0,6% em setembro na comparação com agosto, abaixo do esperado pelo mercado.

A queda do comércio tem a ver com o corte do auxílio emergencial, que foi reduzido para R$ 300 até o final do ano, e com a alta na inflação dos alimentos.

“Há um impacto no varejo, uma redução no consumo de bens e uma substituição por serviços no caso de uma parcela da população”, avalia Maynard. “O varejo cresceu de forma muito acentuada na pandemia, atingindo as máximas históricas. É um patamar muito alto, não tem como esperar que isso vá se sustentar por muito tempo. Ainda não dá para falar em queda, mas há uma acomodação”, aponta.

Para ele, esse crescimento dos serviços tem a ver com o fato de que estes começaram a ser prestados em um volume maior com a flexibilização do isolamento em muitos estados. “As pessoas estão mais dispostas a consumir serviços como alimentação, restaurantes, lazer, cabeleireiros”, aponta. “Muitos ainda estão funcionando em horário reduzido, portanto há espaço para mais recuperação”.

 

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