Falar em alta ou queda da Selic, a taxa básica de juros do Brasil, é um conceito quase que abstrato para a maior parte das pessoas. Mas o fato é que as decisões tomadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) no prédio do Banco Central em Brasília impactam, e muito, a economia e bolso do consumidor.

A pedido do 6 Minutos, a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) fez algumas simulações que mostram o quanto o atual ciclo de aumento na taxa, iniciado em janeiro pelo BC com a Selic a 2% ao ano, já afetou as parcelas dos empréstimos a pessoas físicas no país – os cálculos consideram a  taxa válida até esta quarta, de 5,25% ao ano.

Como houve novo aumento, para 6,25% nesta quarta-feira, isso deve potencializar ainda mais as altas no custo do crédito daqui para a frente.

“Se fosse somente a alta da Selic em si, não teria tanto impacto na vida das pessoas”, afirma Miguel Oliveira, diretor executivo da associação. “Mas se a gente considerar que também tem alta do IOF [Imposto sobre Operações Financeiras, elevado pelo governo na semana passada], inflação corroendo a renda e desemprego elevado, todos esses fatores têm um peso significativo no bolso”.

Os maiores efeitos das mudanças na taxa básica podem ser sentidos, é claro, nos financiamentos de longo prazo ou que cobram juros maiores.

No caso de um veículo popular financiado em cinco anos, por exemplo, o consumidor já paga R$ 3,7 mil a mais no total emprestado do que pagava no começo do ano. Para um empréstimo de R$ 3 mil no rotativo do cartão, a parcela aumenta em quase R$ 40 por mês.

Veja abaixo três exemplos de como a alta da Selic afeta diferentes linhas de financiamento.

Veículos

Como o financiamento de veículos é de longo prazo, essa é uma das linhas em que fica mais claro o impacto da alta da Selic. No início do ano, o consumidor que procurava essa linha pagava uma taxa de juros média de 1,38% ao mês nesse crédito. Hoje, arca com juros de 1,54%, segundo a Anefac.

A associação fez a conta do financiamento de um carro de R$ 40 mil, um dos valores mais baixos encontrados para um veículo popular no mercado atualmente, a ser quitado ao longo de cinco anos. Se antes o tomador pagava R$ 974,42 por mês, quem contratou agora desembolsa R$ 1.036,74 na parcela.

Quando quitar o valor total, o cliente pagará R$ 3.739,11 a mais pelo carro, ou seja, o equivalente a um smartphone de ótima qualidade. “O crédito de veículos é um bom exemplo do impacto que altas continuadas na Selic têm principalmente sobre o crédito de longo prazo”, aponta Oliveira.

Cartão de crédito rotativo

Não é segredo que entrar no cartão de crédito rotativo é uma péssima ideia. Com a Selic subindo, então, a conta fica ainda mais salgada. O consumidor endividado no rotativo em R$ 3.000, por exemplo, pagava uma taxa de 11,19% ao mês lá em janeiro de 2021, e agora precisa encarar juros de 12,50% ao mês.

Com isso, sua parcela fica R$ 39,30 mais cara todos os meses. “Quanto maior a taxa dos empréstimos, principalmente em modalidades como o rotativo e o cheque especial, maior o peso nos juros”, lembra o diretor da Anefac.

Empréstimo pessoal

No caso de empréstimo pessoal, que possui taxas bem menores do que o rotativo, o impacto no bolso não é tão grande.

Em um financiamento de R$ 5.000 a ser pago em 12 meses, os juros eram de R$ 3,18% ao mês quando a taxa estava em 2% ao ano. Com a Selic em mais de 5%, essa taxa na ponta subiu para 3,45%. Ao final do financiamento, o cliente pagará R$ 98 a mais por esse crédito.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).