O empresário Eike Batista foi preso na manhã desta quinta-feira, 8, pela Polícia Federal, em nova fase da Operação Lava Jato. A ação cumpre também um mandado de prisão preventiva contra Luiz Arthur Andrade Corrêa, responsável financeiro pelo grupo de Eike.

Membros da Polícia Federal realizam buscas nos endereços dos filhos do empresário, Olin e Thor. As ordens foram expedidas pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

O empresário Eike Batista vai preso de forma preventiva em nova fase da Lava Jato
Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

Do que ele é acusado?

O Ministério Público Federal informou que o empresário e o responsável financeiro pelo grupo EBX Luiz Arthur Andrade Corrêa o “Zartha”, que também foi preso, manipularam o mercado de capitais por meio do uso de informações privilegiadas “interferindo na precificação dos ativos financeiros”. Ao todo, a dupla teria realizado mais de 300 operações, movimentando R$ 800 milhões.

Segundo o Ministério Público Federal, entre 2010 e 2013, foram manipulados os mercados de ações e bonds de diversas empresas: Ventana Gold Corp, utilizada como falso pretexto para encobrir o repasse ilícito de recursos ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, Galway Resources Ltd, MMX, MPX e OGX. Em outros casos, foram usadas informações privilegiadas, assinala a investigação. “No total, foram movimentados mais de R$ 800 milhões”, indica a Procuradoria.

Segundo o Ministério Público Federal, Eike e “Zartha” negociavam ativos financeiros (ações e bonds) “por meio de contas fantasmas no banco paralelo The Adviser Investments, que aparecia nas bolsas como titular das operações, sendo, contudo, apenas uma interposta pessoa jurídica por meio da qual estavam operando”.

Histórico

É a segunda vez que Eike vai para a cadeia de forma preventiva. Em fevereiro de 2017, ele ficou dois meses preso em investigação relacionada à denúncia de pagamento de US$ 16,6 milhões em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Mais tarde, em julho de 2018, ele foi condenado a 30 anos de prisão pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro, ambos relacionados ao caso acima. Ele recorreu e aguarda a decisão em liberdade.

A operação de hoje está relacionada à delação premiada de Eduardo Plass. O banqueiro foi alvo da operação “Hashtag” em agosto de 2018 e estaria ligado a esquema de corrupção envolvendo o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e Eike, segundo a investigação.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).