Uma forte recuperação da recessão causada pela Covid-19 pode levar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e autoridades do banco central a aumentarem as taxas de juros em 2023, mas isso ainda não vai aparecer nas previsões desta semana, segundo uma pesquisa.

Economistas consultados pela Bloomberg News projetam dois aumentos de 25-pontos base em 2023. Mas também esperam que a previsão do próprio banco central dos EUA, que será divulgada juntamente com a declaração de política monetária na quarta-feira, mostre os juros perto de zero ao longo daquele ano.

Tal resultado corresponderia às projeções de dezembro do Fed, embora congressistas dos EUA tenham apoiado quase US$ 3 trilhões em estímulos fiscais desde então, incluindo o pacote de US$ 1,9 trilhão que o presidente Joe Biden assinou como lei na quinta-feira, o que – junto com a vacinação acelerada – melhora as perspectivas econômicas.

‘Trio poderoso’

“O Fed sonda agora o desconhecido à medida que um poderoso trio de amplo estímulo fiscal, apoio monetário e demanda reprimida impactam uma economia liberada pela disseminação generalizada de vacinas”, disse a economista Lynn Reaser, da Universidade Nazarena de Point Loma, em resposta à pesquisa.

É quase certo que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) manterá os juros perto de zero e se comprometerá a continuar as compras de ativos no ritmo mensal de US$ 120 bilhões em sua segunda reunião do ano.

Powell enfatizou repetidamente que o mercado de trabalho dos EUA permanece longe da meta de pleno emprego do Fed, por isso seria muito cedo para discutir a redução do apoio do banco central.

Ainda assim, 75% dos economistas preveem que o banco central terá de elevar as taxas até o fim de 2023, quando a estimativa mediana aponta para cerca de 50 pontos-base de aumento. Em contraste, a mediana na pesquisa de dezembro da Bloomberg não mostrava mudanças nos juros até 2024 ou depois.

Previsões do FOMC

O comitê, que faz suas primeiras projeções econômicas trimestrais do ano, deve elevar suas estimativas de crescimento para 2021 e acelerar as expectativas de inflação, mas não antecipará a desaceleração das compras de ativos ou o aumento das taxas de juros na visão dos 41 economistas, que foram consultados de 5 a 10 de março.

As previsões do Fed, observadas de perto, devem mostrar expansão do PIB de 5,8% em 2021, concluiu a pesquisa, acima dos 4,2% nas projeções de dezembro da instituição. A inflação é vista um pouco acima do que há três meses, com a taxa de desemprego caindo para 5% no final do ano, a mesma das estimativas de dezembro.

O FOMC provavelmente continuará a prever juros próximos de zero até 2023, embora seja uma previsão difícil: cerca de 30% dos economistas pesquisados veem uma projeção mediana do Fed de taxas mais altas até lá.

“Ter uma previsão de aumento dos juros parece muito improvável quando estamos apenas começando a discutir o quanto a inflação vai subir, por quanto tempo e quanto a taxa de desemprego vai cair”, disse Nathaniel Karp, economista-chefe para EUA do BBVA. “O Fed tem que ver isso, sentir isso, não apenas sonhar com isso.”

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