SÃO PAULO (Reuters) – O dólar tinha leve alta ante o real nesta quarta-feira, numa sessão que promete ser de instabilidade, com investidores monitorando o noticiário externo e atentos aos desenvolvimentos no processo para eleição dos presidentes das casas legislativas no Brasil.

Às 10h06, o dólar à vista subia 0,23%, a 5,3312 reais na venda, após subir 0,65%, a 5,3556 reais, logo no começo da sessão, e cair 0,15%, a 5,313 reais, pouco antes das 10h.

Na terça-feira, a cotação recuou 3,32%, a 5,3208 reais na venda, na maior baixa percentual diária desde 8 de junho de 2018 (-5,59%).

No exterior, o índice do dólar ganhava 0,28%, a 90,278, enquanto a moeda norte-americana se valorizava frente à maioria de seus rivais.

O clima de cautela se dava após declarações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, a qual espera que as medidas de restrição à Covid-19 na Europa sigam até o fim do primeiro trimestre, o que deverá afetar a recuperação do continente.

A fala foi entendida como alerta para impactos da alta de casos da doença em outras importantes economias, como Estados Unidos e Japão.

O mercado monitora ainda a votação, prevista para esta quarta, do processo de impeachment do presidente norte-americano, Donald Trump, na Câmara dos Deputados dos EUA.

No Brasil, as atenções seguiam voltadas para a corrida nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O MDB definiu que Simone Tebet enfrentará Rodrigo Pacheco (DEM) na disputa pelo Senado.

A XP lembra que Tebet se lançou na disputa pregando “independência com harmonia” em relação ao Planalto e disse que a discussão sobre novo auxílio emergencial deve ser feita “observando os critérios de responsabilidade fiscal, do limite do teto de gastos”.

No campo macro, o setor de serviços do Brasil –que responde pela maior parte da atividade econômica– cresceu em novembro pelo sexto mês consecutivo e a uma taxa acima do esperado.

A Renascença ponderou, contudo, que já para dezembro se esperam resultados mais fracos para o segmento, diante da combinação entre piora da pandemia, atraso no começo da vacinação, queda na confiança dos consumidores e expectativa de deterioração no mercado de trabalho.

Com a queda dos juros a mínimas históricas, o real perdeu apelo para operações de “carry trade” e tem se tornado uma moeda que reflete mais fundamentos. Por isso, alguns analistas dizem que a divisa brasileira só deve fechar o “gap” de excesso de desvalorização ante seus pares quando a economia voltar a crescer de maneira consistente.

Algumas contas apontam que o valor “justo” para o câmbio está em 4,50 reais por dólar. Por essa métrica, o real estaria com excesso de desvalorização da ordem de 16%.

(Por José de Castro)

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