Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar cedia terreno contra o real nesta quinta-feira, mesmo após dados norte-americanos mostrarem um salto maior do que o esperado nos preços ao consumidor em maio, com os investidores atentos às próximas reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que seu índice de preços ao consumidor subiu 0,6% no mês passado, após alta de 0,8% em abril, que havia sido a maior taxa desde junho de 2009.

Nos 12 meses até maio, o índice acelerou a 5,0%, maior alta anual desde agosto de 2008, que veio após ganho de 4,2% em abril. Economistas esperavam alta do índice de 0,4% em maio e de 4,7% no ano.

Às 10:39, após a divulgação dos números de inflação, o dólar recuava 0,43%, a 5,0484 reais na venda.

“O movimento do real está em linha com comportamento dos mercados emergentes como um todo”, disse à Reuters Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office.

Nesta manhã, rand sul-africano e lira turca, alguns dos principais pares da divisa brasileira, apresentavam ganhos acentuados frente ao dólar. O índice da moeda norte-americana contra rivais fortes apresentava leve alta.

Segundo Gibertoni, o movimento cambial reflete um resultado apenas “um pouco acima do esperado” no relatório de inflação dos EUA. “Isso mostra que os dados ainda têm uma previsibilidade”, um fator de alívio depois que a leitura de abril superou exageradamente as expectativas dos mercados.

Ainda assim, disse ele, a inflação é um tema que vai continuar no radar dos operadores à medida que as principais economias se recuperam da crise gerada pela pandemia de Covid-19.

Na quarta-feira que vem, o Federal Reserve encerrará seu encontro de política monetária de dois dias, e os investidores devem ficar atentos ao posicionamento do banco central em relação à inflação e às discussões sobre uma possível retirada de parte de seu apoio à economia.

Enquanto isso, no cenário doméstico, os investidores aguardavam a decisão de juros do Banco Central, cujo Comitê de Política Monetária (Copom) também encerra seu encontro de dois dias na quarta-feira da semana que vem.

Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos, disse em blog que “a inflação mais elevada e o cenário mais positivo de crescimento podem levar, em algum momento, o Banco Central a abandonar sua sinalização de ajuste parcial das taxas locais de juros”. O termo “normalização parcial”, adotado pelo Banco Central, indica a intenção de ainda se manter um estímulo à economia, com os juros mais altos mas abaixo do patamar considerado neutro.

Na quarta-feira, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,83% em maio, resultado mais forte para o mês desde 1996, ficando acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,71%.

Na semana passada, o IBGE também informou que a economia do Brasil registrou crescimento no primeiro trimestre de 2021 e retornou ao patamar pré-pandemia.

Caso esse cenário doméstico leve o BC a adotar uma postura de política monetária mais dura, o real pode ser beneficiado, pois, segundo especialistas, juros mais altos no Brasil tornam investimentos locais atrelados à Selic mais atraentes para o investidor estrangeiro.

Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário teve alta de 0,70%, a 5,0704 reais na venda.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).