Os fundamentos da taxa de câmbio indicam que o real poderá continuar em apreciação nos próximos meses, mas até o fim do ano a moeda seguirá suscetível a episódios de volatilidade decorrentes de ruído político e incertezas fiscais e pandêmicas, disse Caio Megale, economista-chefe da XP.

A XP está em processo de revisão de cenários e, por ora, vê o dólar encerrando o ano em R$ 5,30, mas não descarta chances de a moeda bater R$ 5 até lá. A cotação estava próxima de R$ 5,22 nesta sexta.

“O viés do dólar no curto prazo é de baixa. (…) As pessoas se preocupam com a CPI da Covid. Sem nada catastrófico, a CPI da Covid tende a tirar foco do Ministério da Economia, alivia o ambiente econômico, tira foco do fiscal”, avaliou Megale.

“Mas com os elementos de risco até o fim do ano tenho menos convicção de mudar a estimativa para o câmbio”, afirmou o economista. “O que pode acontecer é uma espécie de ‘sorriso’, com o dólar baixando agora no próximos meses e depois mostrando alguma recuperação.”

A taxa de câmbio de equilíbrio –que leva em conta números das transações correntes, por exemplo– estaria atualmente em torno de R$ 4,50, segundo Megale.

“A taxa de câmbio é um fundamento econômico, mas também é um ativo de risco, é um ativo de risco que reflete o risco-país. E o risco-país piorou depois da pandemia com o aumento importante da dívida pública.”

Para outras variáveis, as projeções da XP para este ano por ora ainda indicam Selic de 5%, crescimento do PIB de 3,20% e IPCA de 4,90%. Mas a inclinação é de alta para todas.

“Vamos revisar para cima os juros, e houve uma alta adicional das commodities. A economia está se mostrando mais forte do que o esperado”, completou.

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