Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar passava a cair frente ao real nesta quarta-feira, com os investidores digerindo dados de emprego dos Estados Unidos em meio a expectativas de um posicionamento mais agressivo do Banco Central do Brasil ao fim de sua reunião de política monetária e um noticiário fiscal tenso.

Às 10:50, o dólar recuava 0,33%, a 5,1733 reais na venda.

A moeda chegou a apresentar queda de 0,33%, para 5,1732 reais, nos primeiros minutos de pregão, antes de inverter o sinal e chegar a tocar 5,2200 reais na máxima do dia, alcançada por volta das 9h30. Depois, voltou a cair e tocou 5,1653 reais na venda na mínima.

No radar dos investidores, dados de emprego desta manhã mostraram que a criação de vagas de trabalho no setor privado dos Estados Unidos subiu bem menos do que o esperado em julho, provavelmente limitada pela escassez de trabalhadores e matérias-primas.

Segundo Alexandre Almeida, da CM Capital, os dados de emprego estão intimamente ligados à posição de política monetária do Federal Reserve, com números abaixo do esperado “corroborando para um cenário de manutenção” de seu estímulo à economia. Agora, disse ele, os investidores ficarão atentos ao relatório sobre a criação de vagas do Departamento do Trabalho dos EUA, que será divulgado na sexta-feira.

“O ‘payroll’ vai trazer uma noção sobre o ‘timing’ do encerramento da política monetária estimulativa do Fed”, afirmou.

O índice do dólar contra seis rivais fortes recuava 0,24% nesta manhã, enquanto rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano, moedas arriscadas pares do real, apresentavam ganhos.

Entre os fatores que direcionavam as decisões dos investidores nesta quarta-feira, outro destaque era a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se encerra nesta quarta-feira. A expectativa da maior parte do mercado é de que a taxa Selic seja elevada em 1 ponto percentual ao final do encontro, de acordo com uma pesquisa da Reuters, o maior aumento de juros desde 2003.

Outros especialistas, no entanto, esperam alta menos intensa, de 75 pontos-base, como é o caso de Almeida, da CM Capital. Para ele, mesmo que seu cenário se confirme e o Copom não pise completamente no acelerador ao elevar os juros, a tendência é de desvalorização do dólar contra o real.

Almeida explicou que custos de empréstimos mais altos no Brasil tendem a beneficiar a moeda local, ao tornar o mercado de renda-fixa doméstico mais atrativo para o investidor estrangeiro, e consequentemente, elevar a perspectiva de ingresso de recursos no país.

Por outro lado, estimulando a busca pela segurança da moeda norte-americana, uma nuvem de incerteza pairava sobre o cenário fiscal doméstico.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira que a quitação integral dos precatórios calculados para 2022, da ordem de 90 bilhões de reais, atingiria as despesas do governo como um todo e não só o programa Bolsa Família, razão pela qual a União está trabalhando em proposta para flexibilizar as regras desse pagamento.

Vários participantes do mercado interpretaram a notícia como uma tentativa do governo de driblar o teto de gastos, o que levou o dólar a superar os 5,27 reais na máxima do pregão de terça-feira.

“Com a piora do ambiente político e riscos fiscais que se acentuam a cada dia, os investidores buscam refúgio no dólar e fogem do risco”, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, embora tenha ressaltado que comentários do presidente da Câmara, Arthur Lira, em defesa do teto dos gastos e contra o calote dos precatórios, ajudaram a acalmar os mercados.

No pregão anterior, o dólar à vista teve alta de 0,48%, a 5,1903 reais na venda.

(Por Luana Maria BeneditoEdição de Camila Moreira)

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