Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar mais do que reverteu a alta da véspera ao fechar em queda de mais de 1% nesta quinta-feira, com o real na dianteira dos mercados globais de câmbio numa sessão marcada por otimismo sobre a recuperação econômica global, o que impulsionou a demanda por ativos de risco, como moedas emergentes.

O dólar à vista caiu 1,26%, a 5,5744 reais na venda, menor patamar desde 23 de março (5,5168 reais). A cotação oscilou nesta quinta entre 5,618 reais (-0,49%) e 5,5392 reais (-1,88%). Na quarta, a moeda havia subido 0,79%.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de rivais recuava 0,35%, para mínimas em duas semanas. A moeda dos EUA caía entre 0,2% e 0,8% frente a algumas das principais divisas emergentes.

As vendas de dólares voltaram a predominar nos mercados diante da perspectiva de que o banco central norte-americano (Fed) mantenha em vigor estímulos que têm inundado o mundo de liquidez desde o ano passado e ajudado a conter a disparada global do dólar.

Ao participar de um evento virtual do FMI/Banco Mundial, o chair do Fed, Jerome Powell, sinalizou nesta quinta que a autoridade monetária não está nem próxima de reduzir seu apoio à economia norte-americana e minimizou riscos de problemas com a inflação. Powell reforçou, assim, a mensagem emitida na véspera na ata da última reunião de política monetária do BC dos EUA.

Para o Bradesco, o índice do dólar ante uma cesta de moedas, que teve no primeiro trimestre a maior alta em quase três anos, tem agora menor espaço para ganhos adicionais, o que em teoria seria benéfico para mercados emergentes.

“Por mais que o dólar venha a se fortalecer nos próximos meses, reagindo a alterações na percepção de risco ou refletindo a reprecificação na inflação no país, os fundamentos apontam para o enfraquecimento do dólar ao longo de 2021 contra a cesta de moedas dos países desenvolvidos, caso os juros de 10 anos fiquem abaixo de 2,0% e a economia dos EUA cresça menos que 8%”, disseram analistas do banco em nota, citando os déficits “gêmeos” (fiscal e de conta corrente).

O economista do BTG Pactual digital Álvaro Frasson não descarta que o índice do dólar, conhecido como DXY, possa subir nos próximos meses (o que em tese poderia repercutir negativamente no real), mas ele ponderou que o segundo semestre no Brasil deve trazer notícias melhores sobre vacinação e reabertura da economia, além de ausência de ruptura da política fiscal.

“Acho que com isso a gente tem potencial de valorização do real, mas claro que neste momento de estresse todo mundo está apavorado”, disse.

A moeda e as taxas de juros no Brasil sofreram um revés nas últimas semanas com o entrevero gerado pela proposta de Orçamento 2021 –aprovada pelo Congresso, mas considerada pela equipe econômica e o mercado como irreal.

Em seu cenário-base, o BTG Pactual vê o dólar a 5,40 reais no fim do ano, acima dos 5,20 reais previstos antes.

Mesmo com as novas projeções embutindo um cenário pior, elas ainda apontam queda do dólar até o fim do ano. Essa perspectiva de baixa é explicada pelo banco a partir do controle da pandemia no Brasil –que segundo o BTG vai ajudar a diminuir o risco-país–, do aumento da Selic para 5,00% (a taxa está atualmente em 2,75%) e dos maiores preços de commodities no mercado internacional.

Contudo, num cenário extremo –de maior gasto público e forte alta do risco-país–, a cotação poderia terminar o ano em 6,40 reais.

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