SÃO PAULO (Reuters) – O dólar virou e passou a cair ante o real nesta quarta-feira, com fluxo positivo ajudando na continuação de um movimento de realização de lucros que na véspera levou a moeda à maior queda em dois anos e meio.

Às 11h08, o dólar à vista caía 0,86%, a 5,2762 reais, depois de cair 0,92%, a 5,2716 reais, na mínima da sessão, atingida por volta de 11h. Na máxima, alcançada logo no começo do pregão, a cotação ganhou 0,65%, a 5,3556 reais.

A proximidade da abertura dos mercados em Wall Street tende a elevar os volumes negociados no mercado de câmbio e estimular potencial fluxo estrangeiro.

Além disso, investidores seguiam reavaliando cenários após a inflação pelo IPCA em 2020 ter ficado no maior nível em quatro anos, reforçando discussão sobre o momento de alta de juros no Brasil –o que poderia aumentar a rentabilidade do real e elevar a atratividade da moeda brasileira.

Pela segunda sessão consecutiva o real era a moeda de melhor desempenho no mundo. Mas outras divisas de risco também se recuperaram das quedas de mais cedo, movimento replicado no mercado doméstico. Peso mexicano, rand sul-africano e lira turca subiam entre 0,1% e 0,4%.

Na terça-feira, a cotação recuou 3,32%, a 5,3208 reais na venda, na maior baixa percentual diária desde 8 de junho de 2018 (-5,59%). A correção veio depois de a moeda saltar na segunda-feira 1,60%, a 5,5033 reais na venda, maior nível desde 5 de novembro (5,5455 reais).

Em 2021 até a última segunda-feira, o dólar acumulou valorização de 6,01%, o que deixou o real com o posto de pior desempenho mundial. Aos preços desta quarta, esse ganho era reduzido para 1,7%.

As atenções seguiam voltadas para a corrida nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O MDB definiu que Simone Tebet enfrentará Rodrigo Pacheco (DEM) na disputa pelo Senado.

A XP lembra que Tebet se lançou na disputa pregando “independência com harmonia” em relação ao Planalto e disse que a discussão sobre novo auxílio emergencial deve ser feita “observando os critérios de responsabilidade fiscal, do limite do teto de gastos”.

No campo macro, o setor de serviços do Brasil –que responde pela maior parte da atividade econômica– cresceu em novembro pelo sexto mês consecutivo e a uma taxa acima do esperado.

A Renascença ponderou, contudo, que já para dezembro se esperam resultados mais fracos para o segmento, diante da combinação entre piora da pandemia, atraso no começo da vacinação, queda na confiança dos consumidores e expectativa de deterioração no mercado de trabalho.

Com a queda dos juros a mínimas históricas, o real perdeu apelo para operações de “carry trade” e tem se tornado uma moeda que reflete mais fundamentos. Por isso, alguns analistas dizem que a divisa brasileira só deve fechar o “gap” de excesso de desvalorização ante seus pares quando a economia voltar a crescer de maneira consistente.

Algumas contas apontam que o valor “justo” para o câmbio está em 4,50 reais por dólar. Por essa métrica, o real estaria com excesso de desvalorização da ordem de 15%.

Analistas são unânimes na avaliação de que, no curto prazo, uma retomada consistente da economia só deverá acontecer com o controle da pandemia.

Em conversa com apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que seu governo comprará todas as vacinas contra Covid-19 que forem aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sinalizando que a CoronaVac, vacina do laboratório chinês Sinovac, poderá ser adquirida apesar de uma eficácia menor que a anunciada anteriormente para o imunizante.

(Por José de Castro)

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