Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subia com força contra o real na manhã desta quarta-feira, recuperando terreno após fortes perdas registradas na véspera e trabalhando em linha com os ganhos da divisa norte-americana no exterior, enquanto os investidores continuavam acompanhando com cautela a situação fiscal, sanitária e política do Brasil.

Às 10:20, o dólar avançava 0,88%, a 5,3702 reais na venda, enquanto o contrato mais negociado de dólar futuro tinha variação positiva de 0,03%, a 5,385 reais.

Parte desse comportamento era atribuída a um movimento de correção depois que a divisa norte-americana à vista despencou 2,71% na véspera, a 5,3231 reais na venda, aproveitando um dia positivo para ativos arriscados e sinalizações a favor da austeridade fiscal por parte de importantes autoridades brasileiras.

Além desse ajuste, o dólar nos mercados domésticos trabalhava em linha com uma recuperação da divisa no exterior, com o índice da moeda norte-americana ante uma cesta de rivais trabalhando em alta de cerca de 0,36%.

“As expectativas frente aos resultados de balanços de importantes empresas de tecnologia nos EUA e a decisão de política monetária do Fed impõem um sentimento de cautela aos investidores”, escreveu Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora.

O Federal Reserve, o banco central norte-americano, deve manter sua política monetária no modo de combate à crise do coronavírus ao encerrar sua reunião nesta quarta-feira, enquanto as autoridades avaliam uma economia que ainda luta contra o choque da pandemia, mas aguarda o alívio do processo em curso de vacinação e novos planos de gastos do governo.

Paloma Brum, economista da Toro Investimentos, explicou à Reuters que, apesar das expectativas de manutenção dos juros nos EUA nesta quarta-feira, os investidores ficavam de olho na possibilidade de eventual aperto na política monetária por parte do Fed. “Juros mais alto nos EUA atrairiam recursos para o país por causa da alta nos rendimentos dos Treasuries”, o que teria potencial de impulsionar o dólar.

Diante desse cenário, moedas arriscadas pares do real, como peso mexicano, rand sul-africano, lira turca e dólar australiano, operavam em queda contra a divisa dos Estados Unidos.

Enquanto isso, no Brasil, a conjuntura política e fiscal falhava em fornecer algum alívio para o sentimento dos investidores, que acompanhavam notícias acerca das eleições para as presidências da Câmara e do Senado.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse na terça-feira que o prêmio de risco das reformas é um dos fatores por trás da volatilidade cambial e que, nesse sentido, as eleições para o Congresso também têm afetado os preços da moeda.

Paloma Brum explicou que os desdobramentos políticos em Brasília podem definir o fracasso ou o sucesso do governo do presidente Jair Bolsonaro com sua agenda de reformas, o que também pesaria sobre a questão fiscal brasileira.

Há meses os investidores acompanham preocupados as contas públicas do país, temendo que o teto de gastos seja desrespeitado de forma a financiar medidas de assistência social, o que poderia aumentar a dívida pública e prejudicar a atratividade do Brasil aos olhos dos mercados estrangeiros.

A S&P Global disse nesta quarta-feira que os mercados emergentes sofrerão maior impacto dos cortes de rating soberano em 2021, citando que os níveis de dívida em rápida ascensão no Brasil e na África do Sul não devem se estabilizar nem mesmo até 2023.

Enquanto isso, a inoculação da população brasileira contra a Covid-19 segue no radar dos investidores. “Nossa vacinação tem se dado de maneira bem mais lenta do que em outras economias”, disse Brum. “Questões logísticas e políticas — ou qualquer coisa que retarde a imunização — o mercado vai acabar precificando, pois isso pode retardar uma recuperação econômica.”

O Banco Central anunciou que a partir desta quarta-feira dará início à rolagem dos contratos de swaps cambiais tradicionais com vencimento em 1º de março, no valor total de 11,8 bilhões de dólares (234.996 contratos).

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).