A dívida bruta brasileira, considerada a principal medida da saúde fiscal do país, subiu 10,7 pontos no ano até julho, ao patamar recorde de 86,5% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta segunda-feira.

A trajetória tem sido guiada pelo aumento explosivo dos gastos no enfrentamento à crise com o coronavírus. Mas outros fatores também têm pesado na conta.

Segundo o BC, as emissões líquidas de dívida responderam por 5,9 pontos do crescimento da dívida bruta no ano até aqui. A incorporação de juros nominais, por sua vez, foi responsável por elevação de 2,6 pontos, seguida pela desvalorização cambial acumulada (+1,4 ponto) e o efeito da variação do PIB nominal (+0,8 ponto).

Para 2020, a projeção mais recente do Ministério da Economia era de dívida bruta de 94,7% do PIB, considerando a expectativa de contração da economia de 4,7%.

Em julho, a dívida líquida também subiu a 60,2% do PIB, acima dos 58,0% do mês anterior. A expectativa do mercado, segundo pesquisa Reuters, era de dívida bruta de 86,9% e dívida líquida de 59,1% do PIB.

Primário

O setor público consolidado brasileiro teve déficit primário de R$ 81,071 bilhões em julho, abaixo da expectativa de R$ 94 bilhões para o mês, conforme agentes consultados pela Reuters.

O déficit do governo central (governo federal, BC e Previdência) foi de R$ 88,141 bilhões no período. Em contrapartida, Estados e municípios registraram superávit de R$ 6,281 bilhões e as empresas estatais ficaram no azul em R$ 790 milhões.

Na sexta-feira, o Tesouro já havia informado que o déficit do governo central de julho havia sido recorde para o período, afetado principalmente pelas despesas extraordinárias ligadas à pandemia de Covid-19, dinâmica que tem se repetido desde abril.

Nos sete primeiros meses do ano, o déficit do setor público consolidado foi a R$ 483,773 bilhões e, em 12 meses, o rombo foi de R$ 537,143, equivalente a 7,48% do Produto Interno Bruto (PIB).

A última estimativa oficial da equipe econômica era de um déficit do setor público consolidado de R$ 812,2 bilhões em 2020, ou 11,3% do PIB. O dado, contudo, não considera a prorrogação do auxílio emergencial até o fim deste ano, promessa que já foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro e que deve ser formalizada nesta semana.

O governo trabalha para diminuir o tamanho do benefício, sendo que Bolsonaro já afirmou que ele será maior do que R$ 200, mas menor que os atuais R$ 600. Somente para o período de abril a agosto, o governo estimou um gasto de R$ 254,4 bilhões no programa, sua iniciativa de maior vulto na crise.

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