O desemprego, que já está alto, deve subir ainda mais em 2021. E a culpa não é só do fim do auxílio emergencial, que lançará ainda mais pessoas para a lista dos que procuram uma colocação no mercado de trabalho.

Um dos motivos que vai pressionar a taxa de desemprego para cima é o fim do programa de manutenção de emprego e renda, que permitiu que as empresas suspendessem contratos e reduzissem salários dos funcionários. O programa se encerra no dia 31 e o governo não sinalizou nenhuma intenção de prorrogá-lo.

“Se suspender o programa, é lógico que vai haver algum tipo de demissão. As empresas estão apertadas e qualquer custo adicional vai ser motivo para elas optarem por cortar esse gasto para sobreviver enquanto esperam para ver como a demanda vai reagir”, afirma Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

Até novembro, esse tipo de acordo tinha atingido 9,7 milhões de trabalhadores de 1,4 milhões de empresas.

Jaime Vasconcellos, assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), diz que o fim do programa deve gerar cortes, só não dá para dimensionar o tamanho da redução. “Dos quase 20 milhões de contratados assinados, não sabemos quantos ainda estão em vigor. O que sabemos é que a maioria, quase 16 milhões, foram assinados de abril a julho.”

Mas não é só isso que as empresas temem. O governo recorreu na semana passada ao STF (Supremo Tribunal Federal) para bloquear a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia. A desoneração, que deveria acabar agora, vai valer até o fim de 2021.

Como está a taxa de desemprego? No terceiro trimestre, o desemprego atingiu 14,6% da população. Mas essa taxa vai beirar os 16% em 2021. Para o FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), na média anual, o índice ficará em 15,6%.

As empresas pretendem demitir? Pesquisa realizada em setembro pelo FGV Ibre mostrava que 14,4% das empresas afirmavam que precisariam demitir funcionários para se manter em atividade. E 1,1% dizia que cogitava fechar as portas. Outras 35% afirmaram que não precisariam demitir e 49% não recorreram ao programa.

E quando as demissões começam? Tudo depende do tempo que a empresa se valeu do programa. É que a lei que criou esse programa determina que os funcionários que tiveram o contrato suspenso ou o salário reduzido tenham estabilidade no emprego pelo período em que a medida foi aplicada. Exemplo: o salário foi reduzido por 60 dias, até dezembro de 2021. O colaborador terá estabilidade de 60 dias, a partir de janeiro de 2021.

“O maior impacto vai se dar quando acabar esse período de estabilidade”, afirma o economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre.

Por que o fim do auxílio também pressiona o desemprego? Porque uma das regras para recebimento do auxílio é que a pessoa não tenha vínculo formal de trabalho. Com o fim do benefício, pessoas que estavam recebendo o pagamento podem passar a procurar emprego.

“Só vamos ter uma noção real de como está nosso mercado de trabalho quando esses programas deixarem de existir. Até agora, o mercado formal vinha conseguindo se recuperar, muito por conta desse programa de manutenção do emprego”, afirma Vasconcellos.

O que pode amenizar a taxa? Há a expectativa de que a retomada das atividades econômicas, principalmente no setor de serviços, possa amenizar um pouco a alta do desemprego. “Essa retomada pode fazer o desemprego aumentar marginalmente”, diz Simone.

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