O desemprego bateu recorde no primeiro trimestre deste ano, atingindo 14,8 milhões de brasileiros, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No mesmo período do ano passado, eram 12,9 milhões de brasileiros desempregados. Ou seja, o contingente de trabalhadores sem ocupação cresceu quase 2 milhões em um ano.

Segundo o IBGE, a alta em relação ao último levantamento era esperada. “Esse aumento da população desocupada é um efeito sazonal esperado. As taxas de desocupação costumam aumentar no início de cada ano, tendo em vista o processo de dispensa de pessoas que foram contratadas no fim do ano anterior. Com a dispensa nos primeiros meses do ano, elas tendem a voltar a pressionar o mercado de trabalho”, afirma Adriana Beringuy, analista da pesquisa.

A população ocupada ficou estável em comparação ao trimestre anterior, com 85,7 milhões de brasileiros.

Outros dados sobre o desemprego

Desalentados: são aqueles que deixaram de procurar emprego. Este grupo atingiu a marca de 6 milhões, maior resultado da série histórica. O valor ficou estável em comparação ao trimestre anterior, mas cresceu 25,1% em comparação ao primeiro trimestre de 2020.

Empregados com carteira de trabalho assinada: 29,6 milhões estavam nessa situação, com queda de 10,7% em comparação ao ano passado.

Sem carteira de trabalho assinada: o número caiu 12,1% frente a 2020, chegando a 9,7 milhões.

Trabalhadores por conta própria: eram 23,8 milhões de pessoas, quantidade estável em comparação ao ano anterior.

Trabalhadores domésticos: houve uma queda de 17,3% frente ao ano anterior, com menos 1 milhão de pessoas. No primeiro trimestre, 4,9 milhões atuavam como trabalhadores domésticos.

Jovens, mulheres e negros são mais atingidos

O IBGE apontou que a taxa de desemprego é maior entre os jovens de 18 a 24 anos (31%), acima da média nacional (14,7%). Este grupo representa 29% de todos os desempregados.

O grupo de 25 a 39 anos representa a maior parcela de pessoas fora do mercado, com 34,6%.

“Os jovens, de modo geral, são pessoas que já têm uma dificuldade em acessar o mercado de trabalho. E nesse momento, além dessas dificuldades inerentes a esse grupo etário, que são a falta de experiência e a não qualificação completa, há a crise atual de demanda por trabalho que está ocorrendo no mercado brasileiro. Ou seja, não há geração de ocupação que permita a absorção desses trabalhadores”, afirma Beringuy.

No primeiro trimestre deste ano, as mulheres representavam 54,5% dos desempregados. A taxa de desemprego entre os brancos ficou em 11,9%, enquanto para os pretos e pardos em 18,6% e 16,9%, respectivamente.

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