Depois de sete anos de baldeação entre o metrô de São Paulo e a Linha Turquesa da CPTM, Amanda Cássia, de 24 anos, trocou a casa da família em Ribeirão Pires por um apartamento compartilhado na Barra Funda, a 15 minutos de seu trabalho.

“Estava procurando um lugar para alugar em São Paulo que coubesse no meu orçamento, quando vi o anúncio de um quarto em um grupo no Facebook. Em uma semana, assinei o contrato e fiz a mudança. Estava ansiosa para ter a experiência de morar sozinha, ter liberdade”, diz ela.

A busca por novas experiências e o desprendimento é bastante característico da geração de Amanda. Segundo levantamento do Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas), 82% dos jovens entre 16 e 24 anos não têm interesse em financiar uma casa ou apartamento e contrair uma dívida que se estenderá por décadas.

Esse desapego já se alastra para outras faixas etárias. De acordo com o estudo, 63% dos entrevistados já admitem morar de aluguel com contrato flexível ao invés de comprar um imóvel.

“As pessoas querem morar de acordo com o que é mais adequado àquele momento de sua vida. Não existe mais tanto interesse em contrair uma dívida de 30 anos e morar no mesmo lugar a vida inteira”, diz Alexandre Frankel, dono da startup Housi, dona de prédios com apartamentos para aluguel por assinatura, onde o locatário paga o aluguel pelo tempo que desejar ficar no local

Segundo um levantamento do Ipespe, 57% das pessoas estão dispostas a mudar de casa hoje se for para atender alguma necessidade — seja proximidade do trabalho, família, estudo (próprio ou dos filhos) locais de lazer e amigos. “A moradia está migrando para o setor de serviços”, afirma Frankel.

Efeito pandemia

O distanciamento social imposto pela pandemia de coronavírus não reduziu aumentou a vontade das pessoas de morar mais perto do trabalho. “Coincidentemente, tínhamos feito o mesmo levantamento em fevereiro, antes da quarentena no Brasil, e como repetimos ela agora no final de agosto, conseguimos mensurar o quanto o isolamento social mudou a opinião dos brasileiros”, disse Frankel.

Para Amanda, a pandemia foi crucial na decisão de mudar de casa. “Tinha medo de me expor ao vírus durante as viagens diárias para o trabalho – ou pior, levar ele para casa e transmitir para a minha família”.

Comparado ao início do ano, o número de pessoas interessadas em morar próximo ao local de trabalho ou estudo subiu de 38% para 57%. “Nos últimos 10 anos o brasileiro vem buscado meios alternativos de se locomover nas cidades, ao invés de usar transporte público. Agora, além de maior qualidade de vida, trabalhando ou estudando perto de casa, as pessoas também querem mais segurança sanitária”, analisa o jornalista Leão Serva, um dos idealizadores da pesquisa.

 

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