A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira em sessão do Congresso Nacional o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e traz ajustes, com aval do governo, que permitiriam a controversa sanção do Orçamento deste ano.

Deputados rejeitaram mudanças ao texto do Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 2, ao recusarem um destaque apresentado pela bancada do Partido Novo. Após a conclusão da análise pela Câmara, a proposta ainda precisará ser analisada pelo Senado em sessão do Congresso ainda nesta segunda.

Por conta da Covid-19, as reuniões do Congresso, anteriormente realizadas de maneira conjunta e presencial, têm sido realizadas no formato remoto e em etapas separadas para Câmara e Senado.

A sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira desta semana, expôs um impasse entre o Congresso, a ala política e a equipe econômica do governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, vem repetindo que busca uma alternativa que atenda a requisitos políticos e também jurídicos.

O Orçamento foi aprovado com uma reestimativa de R$ 26,5 bilhões para baixo das despesas obrigatórias do governo e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares, o que, segundo o Tesouro, cria o risco de “paralisação das atividades essenciais do Estado”.

O PLN 2 traz ajustes à LDO de 2021, flexibilizando as regras para despesas com o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e permitindo que o governo corte por decreto (e não lei, como é feito normalmente), despesas discricionárias, caso de investimentos e aquelas voltadas para a manutenção da máquina pública, para garantir o atendimento à totalidade das despesas obrigatórias.

Essa autorização dará maior agilidade ao governo para remanejar recursos do Orçamento de forma a contornar o risco de impossibilidade de atender despesas como o pagamento de salários e aposentadorias.

O texto também desobriga a compensação, por meio de aumento de receita ou redução de despesa, de medida legislativa que acarrete aumento de despesa que não seja obrigatória de caráter continuado, ou seja, que não tenha execução obrigatória por período superior a dois exercícios.

O projeto determina, ainda, que créditos extraordinários aprovados para cobrir despesas com os programas BEm, de proteção ao emprego formal, e Pronampe, de apoio a micro e pequenas empresas, assim como ações de saúde para o enfrentamento à pandemia, não sejam contabilizados na meta de resultado primário deste ano.

“A expectativa pelo PLN 2 foi muito grande, especialmente pelo setor produtivo brasileiro, por aqueles que precisavam de medidas de apoio e de socorro, e também por aqueles que têm como meta preservar o emprego, a classe trabalhadora, que ao final é quem mais sofre com as portas fechadas das empresas”, disse o relator da proposta, Efraim Filho (DEM-PB).

“Essas medidas foram adotadas no ano de 2020… Muitas empresas, muitos empreendedores, apertaram o cinto, fizeram esforços, sacrifícios, sustentaram, aguentaram de portas abertas e não demitiram, imaginando que 2021 seria um ano de retomada. E aí, muito pelo contrário, uma nova onda traz o momento mais crítico da pandemia vivido por este país”, afirmou o deputado, ao defender a aprovação da proposta.

Em nota divulgada mais cedo, o Ministério da Economia disse que aguardava a aprovação do projeto para reeditar o BEm e o Pronampe, para os quais pretende destinar até R$ 10 bilhões e R$ 5 bilhões, respectivamente.

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