Um governo obcecado por conspirações, que nega os incêndios na Amazônia apesar de evidências em contrário; um líder “delirante” de um governo de extrema-direita, que anseia pela ditadura militar.

Esses foram alguns pontos e críticas destacados pela imprensa e políticos internacionais em reação ao discurso de cerca de meia hora do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, na manhã desta terça-feira (dia 214).

Veja abaixo as principais repercussões internacionais do discurso do presidente Bolsonaro:

Emmanuel Macron

O presidente francês, Emmanuel Macron, não assistiu ao discurso de Bolsonaro, mas rebateu um dos argumentos do brasileiro. Cerca de 30 minutos após o discurso, questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre a fala de Bolsonaro, Macron disse que não se trata de interesse econômico na floresta, mas de pensar no futuro da região que é “um bem comum”.

“Não é questão de lobby ou interesse, os lobbies são para destruir a floresta para seus próprios interesses. O que nós queremos fazer é ajudar pessoas para elas mesmas e para o futuro da Amazônia, porque é um bem comum”, afirmou.

Bruno Rodríguez

O ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou que Bolsonaro “delira e anseia pelos tempos da ditadura militar”.

“Deveria ocupar-se da corrupção no seu sistema de justiça, governo e família. É o líder do aumento da desigualdade no Brasil”, declarou o chanceler cubano em sua conta no Twitter.

The Guardian

O jornal britânico colocou o seu correspondente para a América Latina, Tom Phillips, para acompanhar e comentar o discurso do presidente. Para o jornalista, foi uma fala “aparentemente escrita por assessores mais radicais de extrema direita” e “calamitosa para a imagem do Brasil no mundo”.

“Alguns tinham esperança de que Bolsonaro adotaria um tom mais conciliador ao se dirigir aos líderes mundiais na ONU pela primeira vez, mas em segundos ficou claro que eles iriam se decepcionar”, escreveu o jornalista.

Bloomberg 

O colunista de relações internacionais da agência de notícias, James Gibney, afirmou que o presidente Bolsonaro mentiu sobre a preservação da Amazônia.

Bolsonaro começa suas mentiras sobre o apoio de seu governo à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Você teria que ignorar tudo o que ele disse durante sua campanha para acreditar nele”, disse o jornalista na sua conta na rede social Twitter.

The Washington Post

O jornal americano destacou a frase de Bolsonaro negando os incêndios na Amazônia, ao mesmo tempo que lembrou que as taxas de desmatamento quase dobraram desde que o presidente, “um nacionalista de extrema direita”, assumiu o cargo em janeiro.

(Com informações da Agência Estado)

Veja o resumo do discurso de Bolsonaro na ONU:

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